Exatamente em um 14 de março, como esta quarta-feira, a jovem de origem espanhola Maria Ortiz ajudava a afugentar os holandeses que tentavam invadir a Vila de Nossa Senhora da Vitória, do alto de seu sobrado na então Ladeira do Pelourinho. Quase 400 anos depois, a escadaria no mesmo local, batizada em homenagem à heroína, sofre um outro tipo de invasão: a da criminalidade.
O problema, desta vez, pede medidas mais complexas e mais sensíveis do que as adotadas em 1625. Moradores e, principalmente, comerciantes da região vivem reféns do medo, assistindo, vulneráveis, a uma sucessão de arrombamentos e furtos. Protegem-se como podem da ação dos criminosos, que chegaram a roubar drogas e rádios comunicadores de uma delegacia desativada no local.
A população, amedrondada, pede por mais policiamento. E não está errada, visto que a presença de agentes funciona como profilaxia, inibindo infrações. Mas a realidade é mais intrincada. Acerta o capitão Carvalho, comandante da 1ª Companhia do 1º Batalhão da PM, ao apontar que a situação vivida na Escadaria Maria Ortiz não se atém somente a questões de segurança pública.
O aumento do número de usuários de drogas e de pessoas em situação de rua na região são sintomas de uma crise ampla, que exige ações conjuntas do poder público, com políticas sociais e investimentos em saúde e educação, por exemplo. Se contarmos com a ação apenas da força, as ocorrências apenas mudarão de endereço.