Albuíno de Azeredo nasceu em Vila Velha no dia 21 de janeiro de 1945, filho de Albuíno Ferreira de Azeredo e de Normília Cunha de Azeredo. Negro e de origem humilde, foi vendedor ambulante, quitandeiro, peão de pedreira e jogador de futebol no Atlético de Vitória. Mais tarde, trabalhou no Departamento de Água e Esgoto do Espírito Santo. Durante o curso, estagiou na Companhia Vale do Rio Doce, trabalhou no local após a graduação e fundou a ENEFER, empresa de consultoria no ramo do transporte ferroviário. Dividindo as atividades empresariais com a política, foi eleito governador do Espírito Santo no segundo turno das eleições de 1990.
Concluído o curso de engenharia na Universidade Federal do Espírito Santo, transferiu-se para o Rio de Janeiro e cursou informática e administração de empresas na Pontifícia Universidade Católica (1968-1969). Foi filiado desde 1970 ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), foi secretário de Planejamento da Prefeitura de Cariacica e nomeado em 1988 para secretário de Planejamento e Transportes do Espírito Santo pelo governador Max Mauro (1987-1991), desenvolvendo o projeto do Transcol. No início de 1990, se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) e venceu a eleição ao governo do estado em 1990, derrotou José Inácio Ferreira, do Partido Social Trabalhista (PST), por 44 a 36% no primeiro turno, e 51 a 25% no segundo.
D. Normília, mãe de Albuíno, aparece para defender o filho. Em pleno horário eleitoral, dá um puxão de orelhas em José Ignácio: “Senador, (…) como pode chamar meu filho de ladrão? (…) muitas vezes deixei de comer pão no café da manhã para educá-lo como um homem honesto e decente”. Episódio decisivo. A partir daí, a candidatura de Albuíno dispara nas pesquisas.
O secretário que estava nesta pasta pediu para sair do governo e eu precisava de alguém competente, que fosse da minha confiança. Albuíno era de origem humilde e era amigo do meu irmão, Saturnino Rangel Mauro. Ele assumiu e me ajudou na implementação do sistema Transcol, um estudo que já existia há muito tempo, mas que enfrentava muita resistência, por conta do cartel das empresas de ônibus, lembra Max Mauro.
Ingressou na Companhia Vale do Rio Doce a convite de do dirigente da estatal, Eliezer Batista, onde exerceu os cargos de engenheiro de via permanente, chefe da divisão de engenharia civil, coordenador de duplicação e sinalização da Estrada de Ferro Vitória-Minas, e diretor da subsidiária Intervale S.A. Em 1977 fundou a sua própria empresa, a Engenharia e Estudos Ferroviários, que viria a ter escritórios em cinco estados do Brasil, além de uma representação em Londres, com faturamento mensal de um milhão de dólares.
Foi governador do Estado do Espírito Santo entre 1990 e 1994. Nas eleições de 1998 tentou voltar para o comando do Estado, à frente de uma coligação formada pelo PDT, o Partido Popular Socialista (PPS) e outras agremiações menores, mas, desta vez, foi derrotado por José Inácio Ferreira (na época no PSDB). Em 2000 foi convidado para ser subsecretário de Transportes no Rio de Janeiro, no governo de Anthony Garotinho. Ainda em 2002 candidatou-se a deputado federal pelo Espírito Santo na legenda do PMDB e obteve uma suplência. Com a posse da nova governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, em janeiro de 2003, assumiu a presidência da Companhia Estadual de Engenharia, Transportes e Logística (Central) e a Secretaria de Transportes. Atuou então no Programa Estadual de Transportes (PET), programa com financiamento do Banco Mundial que previa a reforma de trens da frota do estado e a compra de mais 20 novas unidades. Permaneceu atuando no Executivo carioca até 2007, quando voltou a trabalhar com consultorias.
Duas visitas internacionais marcaram os anos de governo de Albuíno Azeredo. A primeira ocorreu no dia 4 de agosto de 1991, quando o ex-presidente sul-africano e ativista do movimento negro Nelson Mandela seguiu para a Residência Oficial do governo do Estado, na Praia da Costa, em Vila Velha, onde foi recebido por Albuíno. Em outubro do mesmo ano, foi a vez do papa João Paulo II, que visitou a Capital. Além da missa na Enseada do Suá, no lugar hoje conhecido como Praça do Papa, o pontífice fez uma celebração em São Pedro, Vitória.
Mesmo assim, e em meio ao caos da hiperinflação, o governo Albuíno realizou grandes feitos. Com recorde nos investimentos em saneamento, lançou o Prodespol e instalou parabólicas nas escolas (o que viabilizou as primeiras experiências de ensino a distância no estado). Albuíno também saneou as contas e acertou a situação do salário de funcionários públicos. Além disso, lançou uma linha de financiamento para filmes, com o intuito de criar o Polo Cinematográfico Capixaba.
Ainda no Palácio Anchieta, ele concedeu exclusividade nos serviços de distribuição de gás para a Petrobrás, por compreender que as pesquisas da estatal são fundamentais para o setor. No seu governo o Espírito Santo aplicaria 10% de sua receita em investimentos e na execução de três projetos prioritários: a recuperação da malha rodoviária, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de 104 milhões de dólares; a criação de um serviço médico-odontológico móvel; e a recuperação de escolas.
Após cumprir integralmente o mandato como governador até 1994, Albuíno retornou às atividades empresariais e em 1997 foi nomeado Secretário de Planejamento do município de Cariacica. Convidado pelo Governo do Rio de Janeiro, presidiu a Rio Trilhos (responsável pelo metrô) e a Companhia Fluminense de Trens Urbanos (FLUMITRENS). Depois, foi nomeado a presidente da Companhia Estadual de Engenharia, Transportes e Logística (CENTRAL). Albuíno morreu em 2018, aos 73 anos, em Vila Velha.
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