Depois de apresentar todos os museus do Espírito Santo e algumas exposições que estão em cada um deles, é hora de brindar outros espaços culturais do nosso Estado - e, dessa vez, estamos falando dos teatros. Por todo o território capixaba, há mais de 20 casas prontas para sediarem comédias, dramas e musicais. Muitos deles, construídos pelo Governo do Estado e passados às administrações municipais. Mas o cenário não é só de alegrias. Apesar da grande ocupação, alguns produtores de espetáculos reclamam da falta de oportunidades para realização de temporadas de seus espetáculos.
"Apelamos para um espaço próprio para termos possibilidade, sobretudo, de conseguir realizar temporadas. O pior dos espaços públicos é que quando a população começa a tomar graça pelo espetáculo está na hora de sair de cartaz", lamenta. "Hoje tenho certeza que a gente continua fazendo teatro porque nós temos o nosso próprio espaço", dispara Rodrigo Campanelli, 42, diretor do Grupo de Teatro Campanelli, que completa 20 anos em 2018.
(A falta de espaços) trará um prejuízo enorme à cena cultural do Espírito Santo
Para ele, desde quando começou a produzi,r sentiu muita dificuldade em conseguir uma locação. "É a pior parte. Antigamente tinham outros teatros até particulares, tinham mais teatros... Hoje é uma luta conseguir um e por isso partimos para um aparelho cultural próprio nosso. Mas não é nem um pouco fácil manter uma estrutura dessa com tudo em dia", contrapõe ele, que tem um teatro com capacidade para 90 pessoas na Enseada do Suá, em Vitória.
"Toda semana fazemos apresentações e estamos criando no capixaba o hábito de frequentar teatros. Muita gente tem, e, assim, fazendo apresentações por temporadas, fica mais fácil, também, de atrair um novo público", completa.
FALTA DE TEMPORADA FAZ TEATRO PERDER PÚBLICO
O diretor do Grupo Z de teatro, Fernando Marques, de 47 anos, é firme em dizer que a falta de fazer temporadas nos teatros é um fator determinante para que a cena cultural do Estado ainda não tenha o prestígio que merece. "O nosso grupo tem uma garantia de trabalho por termos uma sede própria. Mas e quem não tem?", questiona. "Por outro lado, temos pouca circulação. A gente até faz apresentações fora, circulando em outros espaços da Grande Vitória e do Espírito Santo, mas quase não têm espaços para esse fim", lamenta.
Sobre as temporadas, Fernando esclarece que a divulgação de um espetáculo, quando é feita pelo próprio público, é imbatível. Acontece que, se essa peça ficar um ou dois fins de semana em cartaz, não adianta muita coisa, porque quando ela ganhar maiores proporções já terá sido desmontada. "Uma temporada, que nós fazemos no nosso aparelho cultural, dura em média um mês. Ai, sim, dá para trabalhar melhor nessa lógica. Menos que isso é inviável", conta.
Precisa ser uma obrigação do poder público dar acesso à cultura que é produzida no Espírito Santo
Para Fernando, seria muito importante, olhando para a produção local, que existissem espaços para que os grupos pudessem realizar essas temporadas. "Inclusive que a gente possa fazer bilheteria e ganhar em cima dela, para não ficarmos só à mercê dos editais públicos", justifica.
Ele diz que já fez uma temporada de quatro dias por meio de um projeto do Centro Cultural Sesc Glória, no Centro de Vitória, no próprio local, mas que, ainda assim, soube de muita gente que batia com a cara na porta. "A lotação esgotava. E não dava para esticar a apresentação porque outras pessoas participavam do projeto. Entende o problema?", aponta.
"Um espetáculo que se sustenta tem, sim, potencial para ficar mais tempo em cartaz", avalia. "Precisa ser uma obrigação do poder público dar acesso à cultura que é produzida no Espírito Santo e para isso precisamos do fomento à produção, mas precisamos que a população também tenha condição de nos assistir", finaliza.
SELEÇÃO ABERTA CRIA OPORTUNIDADE
Segundo o Governo do Estado, os locais disponíveis são muito ocupados, até no interior, e vivem a partir dos grupos que conseguem vencer os editais lançados pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), como conta o secretário João Gualberto Vasconcellos.
"Nós fizemos ajustes nos modelos de editais e de cessões de espaços como o Teatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória. Apesar de ele (o teatro) estar em reforma, o calendário de programação é montado a partir de inscrições que a população faz em uma chamada. Para isso, também há um conselho que elenca quem vai ocupar e quem não vai. Essa manobra, específica por enquanto do Carlos Gomes, deu versatilidade e diversidade ao que é apresentado", começa ele, dizendo que, tendo em vista todas as intenções de peças, fica mais fácil programar espetáculos diferentes.
João enxerga que, no interior, o cenário não é diferente. Isso porque, segundo o secretário, existem grupos de teatros fortes que persistem e fazem força para deixar, como também completa a produtora cultural e membro do Conselho Estadual de Cultura na área de Artes Cênicas, Elenice Moreira. Ela destaca que Guaçuí, Cachoeiro e Colatina têm nomes fortes no teatro independente. "Um grupo aparece, o outro sai de cena... Outro decide se desmembrar e partir para o campo de pesquisas... É assim. Mas têm alguns que são firmes".
CONSELHO DE CULTURA RESSALTA APOIO DO GOVERNO
Elenice contrapõe que os editais do Governo ainda são a maior ferramenta que existe para os artistas. Apesar de acontecer uma vez por ano, a produtora avalia que muita gente acaba conseguindo o benefício e quem não consegue usa de outras ferramentas para conseguir fazer arte até na rua. "Os editais são tanto para montagem quanto para circulação e trabalhos de grupos. Como são em grupos, não temos como saber quantas pessoas recebem o recurso, mas sempre uma quantidade generosa de grupos consegue se beneficiar", afirma.
Rodrigo Campanelli crê que o cenário atual é desanimador porque a máquina pública não tem mais recursos como antes para liberar para esses fins. "O poder público não tem dinheiro. Os editais ficam mais difíceis e a concorrência aumenta. Da elaboração do projeto à elaboração: tudo ficou mais complicado", aponta.
O diretor revela que, com isso, muitos grupos de teatro e atores se vêm obrigados a deixar a arte para partir para outros empregos - e nunca mais voltam para os palcos. "Parados, esses grupos vão se desfazendo e cada um vai buscando uma alternativa diferente. Acontece que esse movimento, a longo prazo, trará um prejuízo enorme à cena cultural do Espírito Santo", conclui.
Por outro lado, Elenice vê que o País vive um momento delicado da economia e entende que de uma forma ou de outra isso afeta todas as áreas. "Por isso eu costumo reforçar a ideia de que as prefeituras também precisam ter participação. Às vezes, o Governo do Estado constrói uma estrutura, passa para a prefeitura e, algumas delas não conseguem manter o local", lamenta.
OS NÚMEROS
De acordo com levantamentos da Secult, só no Teatro Carlos Gomes, 41 mil pessoas assistiram às 78 peças que foram exibidas no local durante 2017. Esse número aumenta ainda mais se acrescentarmos a contagem de público das apresentações da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses). "Só para a orquestra foram 30 mil pessoas. Tudo bem que algumas das apresentações da Oses acontecem em outros locais, mas 90% delas foram feitas em teatro", comemora o secretário.
Nas apresentações que a Oses fez em parceria com o Ticumbi, 1,2 mil pessoas compareceram à sessão. "Então vemos, também, que assim como a Rockestra, outros projetos que mesclam as culturas são importantes. Essa mistura de clássico e popular é algo que nos interessa muito", pondera João. "A gente está tentando dar à orquestra uma dimensão maior de atingir um público consumidor que não é só o da música clássica", finaliza.
OS TEATROS
O Gazeta Online fez uma relação dos teatros que estão funcionando em todo o Espírito Santo. Confira:
Afonso Cláudio
Centro Cultural José Ribeiro Tristão (Ladeira Maria Zuleika Haddad Fafá - Centro); mais informações: (27) 3735-4025 / (27) 99973-2029
Alegre
Teatro Municipal Virgínia Santos (BR-482, Alegre, Espírito Santo); mais informações: (27) 3552-3321 / (27) 99273-0902 / (27) 99935-6136
Cachoeiro de Itapemirim
Teatro Municipal Rubem Braga (Av. Beira-Rio, 237 - Guandú); mais informações: (28) 3155-5331 / (28) 3155-5536 / (28) 3155-5379
Cariacica
Centro Cultural Frei Crivella (Avenida Expedito Garcia, 220, Campo Grande); mais informações: (27) 3346-6345
Guaçuí
Teatro Municipal Fernando Torres (Av. francisco Lacerda de Aguiar, s/n); mais informações: (28) 3553-2826 / (28) 99976-1487
Itaguaçu
Teatro Municipal de Itaguaçu (Rua Vicente P de Melo, 8); mais informações: (27) 3725-1103 / (27) 99946-7466
Jerônimo Monteiro
Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) (Av. Gov. Lindemberg, 316 - Centro); mais informações: (27) 3558-2906
Linhares
Centro Cultural Nice Avanza (Rua da Conceição, s/n, Praça 22 de agosto); mais informações: (27) 3372-2071
Muqui
Teatro Municipal Neném Paiva (R. Cel. Marcondes - Cruzeiro); mais informações: (28) 3554-1456
Mimoso do Sul
Teatro Municipal Stênio Garcia (R. Presidente Vargas, s/n - Mimoso do Sul); mais informações: (28) 3555-1359 / (28) 99949-2250
Montanha
Teatro Municipal de Montanha (Av. Antonio Paulino, 567); mais informações: (27) 3754-1688 / (27) 99928-2296
Rio Novo do Sul
Teatro Municipal Ivo Maneri (Rua Maria do Nascimento Costa, s/n - Centro); mais informações: (28) 3533-1340 / (28) 99883-6910
Venda Nova do Imigrante
Centro Cultural de Turismo de Venda Nova do Imigrante (Rua João Pedro II, s/n - Vila Betania); mais informações: (28) 3546-3062 / (28) 3546-6105
Auditório do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) (Rua Elizabete Perim, s/n - São Rafael); mais informações: (28) 3546-8603
Viana
Teatro Municipal de Viana (Av. Florentino Avido - Viana Sede); mais informações: (27) 3255-1196
Vila Velha
Teatro Marista (Rua Antonio Ataide, 8070 - Centro); mais informações: (27) 4009-4207 / (27) 99784-1568
Teatro Municipal de Vila Velha (Praça Duque de Caxias - Centro); mais informações: (27) 3149-7345
Vitória
Centro Cultural Sesc Glória (AV. Jeronimo Monteiro, 428 - Centro); mais informações: (27) 3132-8399
Teatro do Sesi (Rua Tupinanbás, 240 - Jardim da Penha); mais informações: (27) 3334-7323
Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) (Av. Fernando Ferrari, 514, Campus Universitário de Goiabeiras); mais informações: (27) 3335-2953
Palácio da Cultura Sônia Cabral (Praça João Clímaco, s/n - Centro); mais informações: (27) 3132 8399
Teatro do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) (Av. Vitória, 1729); mais informações: (27) 3331-2110 / (27) 3331-2251
Teatro Campanelli (R. Luiz Gonzáles Alvarado, 64 - Enseada do Suá); mais informações: (27) 3314-5088