De todas as crises econômicas pelas quais o nosso país passou - e é importante ressaltar que não foram poucas -, sem dúvida a mais reticente para ser debelada está sendo a atual, da qual ainda sentimos seus impactos e efeitos. O fraco desempenho do PIB em 2018, tomado como o principal indicador da dinâmica econômica, simplesmente nos revela a profundidade e abrangência dessa crise. A profundidade, pelas suas causalidades estruturais. Abrangência, pelo seu alcance em termos de segmentos econômicos e sociais afetados.
Se bem observarmos, a gênese dessa longa crise tem início no final do segundo mandato de Lula, quando começa a fazer os primeiros ensaios ou experimentos na direção do que se denominou como a nova matriz econômica. O reposicionamento da política econômica para fazer frente aos impactos negativos da crise de 2007-08, que provocou uma queda do PIB de 0,3% em 2009, já sinalizava o abandono gradual das políticas até então adotadas. Movimento que foi acelerado no governo Dilma, com intervenções em mercados regulados, como de combustíveis e energia, além do descaso em relação ao necessário equilíbrio nas contas públicas.
O certo é que se contabilizarmos o primeiro mandato de Dilma e efetivamente mais um ano do seu segundo mandato, um total de cinco anos, a economia brasileira praticamente estagnou. Em 2014, último ano do seu primeiro mandato, o PIB registrou apenas 0,1% de crescimento. Despencou 3,8% em 2015, primeiro ano do seu segundo mandato. O ano de 2016 pode ser interpretado como simples consequência do processo em curso. Ou seja, as bases causais da queda já estavam dadas, fazendo com que o PIB voltasse a cair 3,6%.
A crise, portanto, não começou em 2016, mas se desenhou como um processo evolutivo. Processo este que respingou sobre o desempenho da economia nos dois anos subsequentes. O que temos observado é frustrações de expectativas. Todo ano se inicia com expectativas em alta, porém, na medida em que os acontecimentos vão fluindo, elas vão se dissipando e perdendo força.
A questão é que a frustração do desempenho da economia em 2018 já contamina as expectativas em relação a 2019. Projeções iniciais mais otimistas assinalavam que teríamos um crescimento que poderia chegar à casa dos 2,5%. Agora, no entanto, raros são aqueles que se arriscam em apostas que cheguem ao patamar de 2%. Já há um certo consenso de que, pela evolução dos acontecimentos, chegaremos ao final do ano com mais uma frustração.
O que precisamos urgentemente é quebrar essa lógica sequencial de frustrações. Para tanto, as reformas que estão no curso são fundamentais, mesmo que não suficientes, com destaque para a reforma da Previdência. Já seria uma boa sinalização para que as expectativas sejam melhores.