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Orlando Caliman

A demissão de Bebianno e o desarranjo do governo

O que se espera é que o novo governo se alinhe aos propósitos e leve o país ao caminho do crescimento

Publicado em 21 de Fevereiro de 2019 às 02:12

Públicado em 

21 fev 2019 às 02:12
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno Crédito: Agência Brasil
A demissão de um ministro, mesmo que não tenha se passado nem dois meses de caminhada do novo governo, por si só não ensejaria motivos para questionamentos. Afinal, quem tem o poder da caneta de nomear, por princípio de ato soberano, também o tem para destituir.
Portanto, não teríamos como rotular, de antemão, a demissão de Gustavo Bebianno da condição de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República de intempestivo. No entanto, a forma e o contexto como tudo aconteceu vem despertando um sentimento de incerteza, instabilidade e também de insegurança, tanto interno no governo, quanto externamente.
Não tenho conhecimento de uma demissão de ministro tendo como justificativa o exercício de foro íntimo. Poderia ser outra razão qualquer, como historicamente tem acontecido. A demissão de Bebianno foi a segunda mais rápida da história desde a redemocratização, no início da década de 1980. O recordista foi Romero Jucá, que se demitiu pelo fato do estar envolvimento na Lava Jato. Como o mundo está mudando muito, inclusive na política, pode ser que se trate de uma inovação, uma linguagem nova de comunicação.
O mercado, pelo menos num primeiro momento, nem colocou o episódio no seu radar de riscos. A sua aposta, que convenhamos é até arriscada, está centrada na perspectiva de aprovação da reforma da Previdência. Talvez a ficha ainda não tenha caído e o mercado não tenha se despertado para a perspectiva de contaminações do meio político, especialmente Câmara e Senado, e com possibilidade de implicações também institucionais.
Isso tudo acontecendo exatamente num momento em que o governo federal necessita de amplo apoio das duas casas para passar reformas que são cruciais para o país.
Mas, enfatizando e não sendo exaustivo, o que mais chama a atenção nesse imbróglio todo é a forma como o processo se deu. A começar pela associação da própria demissão com um jogo de força e poder onde aparece como protagonista e estopim deflagrador o filho de Bolsanaro, Carlos, vereador na cidade do Rio de Janeiro, ao chamar publicamente Bebianno de mentiroso pelas redes sociais, sob a guarda do pai.
Um jogo de mentirinhas? Há até quem julgue ter sido um ato heróico. No entanto, a bem da verdade, nada republicano, além de tratar-se de excessiva e perigosa ingerência familiar em questões do Estado. Desperta, no mínimo, desconfiança.
O que se espera e se deseja, mesmo assim, é que o que aconteceu possa servir de aprendizado e que o novo governo consiga se alinhar aos propósitos que consigam levar o país no caminho do crescimento e desenvolvimento.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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