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E jornalista

Anistia da PM não foi capaz de impedir ataques violentos recentes no ES

Semanas que se seguiram à revogação das punições de PMs registraram numerosas ocorrências violentas no ES

Publicado em 01/02/2019 às 15h45

Há quem acredite que as punições aplicadas aos policiais militares, em decorrência da greve de fevereiro de 2017, adoeceram a corporação. E que, para recuperar a motivação da PM, o único caminho seria anistiar os punidos. Só assim a PM capixaba se tornaria capaz de enfrentar a bandidagem, aí incluídos os líderes do tráfico, e de reduzir os índices de violência.

As estatísticas da violência no Espírito Santo, entretanto, parecem desmentir esta versão. Com exceção do mês em que ocorreu a greve – em que os assassinatos foram os mais numerosos da série histórica por causa da ausência da polícia nas ruas –, em todos os outros meses, antes e depois da greve, a quantidade de assassinatos diminuiu chegando em 2018 ao menor patamar dos últimos 22 anos.

É sintomático o fato de que, ao contrário do que sustentam os defensores da anistia, as semanas que se seguiram à revogação das punições pela Assembleia Legislativa registraram numerosas ocorrências violentas, culminando com a onda de assassinatos dos últimos finais de semana. Cresce a percepção da sociedade, e de algumas autoridades, de que o crime organizado carioca está chegando, cada vez mais, ao Espírito Santo, sendo ele, em grande parte, o responsável pela guerra do tráfico, como é chamada a matança de traficantes rivais na disputa do controle da venda de drogas no Estado.

Os defensores da anistia chegam a enxergar na guerra do tráfico uma reação da bandidagem à maior ação da, agora motivada, polícia capixaba.

É difícil, contudo, identificar essa relação de causa e efeito. O mais provável é que tenha ocorrido não uma mudança de ânimo das forças policiais, mas sim uma concretização de uma ameaça que os capixabas sempre temeram: a chegada do comando do tráfico carioca aos morros da Grande Vitória.

Até então era evidente uma diferença substancial entre o tráfico carioca e o capixaba. Lá, grandes organizações com comandos unificados centralizam, cada uma em seu território, as operações do crime. Aqui, numerosos chefetes – ou grupos de irresponsáveis, como os chama o secretário de Segurança – se digladiam na disputa de pequenos territórios. Há quem acredite que está em curso uma radical mudança na estrutura organizacional e operacional do tráfico capixaba.

Para enfrentar essa nova forma de atuação, a PM precisaria rever suas estratégias. A anistia, por si só, não resolve este novo desafio. Ao contrário, poderá talvez tornar esse enfrentamento ainda mais complexo na medida em que coloca em xeque valores tão caros às corporações militares como o respeito às leis, à Constituição e à hierarquia.

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