Além dos tradicionais balanços do ano que passa e das metas para o ano que se inicia, o ano novo traz também a possibilidade de renovação política (caso os cidadãos não estejam satisfeitos com os rumos de suas cidades), já que em 2020 acontecerão as eleições municipais, quando serão escolhidos novos prefeitos e vereadores das cidades brasileiras.
Não se desconhece que, no contexto atual, há forte e compreensível descrédito popular quanto aos representantes eleitos e à atividade política de uma forma ampla. Entretanto, num país democrático como o Brasil, onde o Poder - que pertence ao povo (teoria da soberania popular) – é exercido primordialmente por representantes democraticamente eleitos, da política dependem as decisões que impactarão a vida de toda a sociedade.
A eleição municipal é de grande relevância porque, ao menos em tese, prefeitos e vereadores são os representantes políticos que deveriam estar mais próximos e acessíveis aos cidadãos, tendo, portanto, maiores possibilidades de conhecer as principais necessidades da população; no que pese a União, representada pelo governo federal, concentrar a parcela mais expressiva dos recursos públicos.
As eleições de 2020 trazem consigo, lado outro, imponentes desafios, como o avanço das chamadas fake news, sinônimo de desinformação deletéria e que já demonstrou a capacidade de influir no resultado do pleito. Além disso, outros obstáculos a serem superados são o abuso do poder político e econômico e o crescente clima de intolerância política (acirrado sobremaneira pela polarização entre uma suposta esquerda versus direita), isso sem contar o já destacado desinteresse popular pela participação política.
Eventuais atalhos pelos caminhos tortuosos das medidas de exceção ou totalitárias podem ter efeitos opostos, retrocedendo às conquistas já alcançadas. Sem democracia, não há solução. Esses momentos devem servir para salientar a necessidade de desenvolvimento da cultura política e de amadurecimento do espírito democrático do país.
Nesse tocante, o conhecido escrito do alemão Bertholt Brecht é tão atual como se hoje houvesse sido redigido: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”. E da apatia política, “nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.