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Fake News

Polícia Civil investiga ofensas contra Marielle nas redes

Delegacia dedicada a crimes digitais vai analisar conteúdo de denúncias reunidas por advogadas

Publicado em 23 de Março de 2018 às 21:35

Publicado em 

23 mar 2018 às 21:35
Câmara dos Deputados realiza sessão solene em memória e solidariedade à vereadora Marielle Franco, e ao motorista Anderson Gomes Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) abriu na tarde desta sexta-feira (23) um inquérito para apurar denúncias de publicações ofensivas contra a vereadora Marielle Franco (PSOL) presentes nas redes sociais. Marielle foi assassinada a tiros no dia 14 de março.
O titular da especializada, Pablo Sartori, confirmou a abertura da investigação. Afirmou que, a partir de amanhã, vai se debruçar sobre o material levado à Polícia Civil pelas advogadas que atuam em uma força-tarefa jurídica contra as notícias falsas. Elas receberam 17 mil e-mails de pessoas anônimas denunciando publicações ofensivas que acharam na internet, principalmente nas redes (Facebook, Youtube, Twitter, Instagram e WhatsApp).
Nesta sexta-feira (16), a reportagem mostrou que um site de opinião política ampliou de forma decisiva a repetição de falsas acusações contra a vereadora do PSOL. Dados colhidos pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e uma investigação feita pela reportagem traçaram o caminho das fake news de maior repercussão sobre o assunto. Até a noite desta quinta-feira (232, o link do Ceticismo Político havia sido compartilhado mais de 360 mil vezes no Facebook, ocupando o primeiro lugar entre as publicações que abordaram o boato da ligação da vereadora com o crime organizado — seja de maneira difamatória ou em tentativas de rebater a acusação.
No dia seguinte ao crime, boatos começaram a se espalhar em grupos de WhatsApp por meio de textos, áudios e memes. Por volta do meio-dia de sexta-feira, apareceram os primeiros tweets relacionando Marielle ao traficante Marcinho VP e à facção Comando Vermelho. Quatro horas mais tarde, o site Ceticismo Político publicou um texto que teve papel fundamental na disseminação das falsas acusações. O link foi divulgado no Facebook, e, pouco depois, o Movimento Brasil Livre (MBL) replicou a mensagem, ampliando ainda mais a repercussão.
JUSTIÇA CONCEDE LIMINAR PARA RETIRADA DE VÍDEOS
Ontem, a Justiça do Rio decidiu, em caráter liminar, que o Youtube deve retirar, em até 72 horas, 16 vídeos com conteúdos considerados ofensivos contra a vereadora Marielle Franco, morta a tiros na semana passada. Caso não cumpra a decisão, a rede social deverá pagar multa de R$ 1 mil diários. Além disso, novos vídeos que possam vir a ser postados com teor difamatório terão que sair da rede em até 48 horas depois de notificação judicial de sua publicação. A liminar foi concedida pela juíza Marcia Correia Hollanda, titular da 47ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio.
 

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