O prefeito da Serra, Audifax Barcelos, maior líder da Rede Sustentabilidade no Espírito Santo, está estendendo tapete vermelho para Rose de Freitas (PMDB) ingressar no partido. Audifax convidou mesmo a senadora para se filiar à Rede e para concorrer ao governo do Estado pela legenda de Marina Silva. O convite foi feito por ele a Rose em Brasília, na semana passada. Conforme a coluna apurou com representantes da Rede, esse cenário, se confirmado, representaria o melhor dos mundos para Audifax: ao mesmo tempo, estariam resolvidos os problemas eleitorais de Rose, da Rede, de Marina no Espírito Santo... e, principalmente, os do próprio prefeito.
Se aceitar o convite de Audifax, Rose terá legenda assegurada para disputar o governo – algo que, neste momento, ela não possui em sua própria sigla, o PMDB, e que pode ficar ainda mais distante dela caso o governador Paulo Hartung (também do PMDB) parta para a reeleição. Nessa hipótese, a direção estadual da Rede resolve o seu próprio “problema” e o de Marina, cumprindo aquilo que a cúpula nacional espera de Audifax e dos demais redistas capixabas: palanque próprio e consistente, no Espírito Santo, para a candidata à Presidência da República.
Quanto a Audifax, com a entrada de Rose no partido e na corrida ao Palácio Anchieta pela Rede, o prefeito ficaria desobrigado de abrir mão do mandato na Serra até o dia 7 de abril (com só um terço do mandato cumprido) para representar a Rede na eleição majoritária e erguer um bom palanque para Marina no Estado. E aqui cabe um parêntese: Audifax seguramente ficará aliviado se puder se desembaraçar da necessidade de encabeçar a chapa da Rede nesta eleição.
Dizendo claramente: Audifax, no fundo, não quer deixar a prefeitura para ser candidato a nada em 2018. Ele sem dúvida alguma quer ser governador do Estado. Mas não agora. Seu projeto é para daqui a quatro anos. Se mantém seu nome publicamente como pré-candidato ao governo é por missão partidária: se nada mais der certo (por exemplo, se Rose não topar o convite), pode ser que, por incumbência da Executiva nacional, ele se veja obrigado a representar o partido na eleição ao governo estadual. Mas, no que depender só do prefeito, ele fica onde está e conclui o mandato.
Até porque, raciocinam redistas, se quer mesmo postular o governo na eleição seguinte, Audifax não tem por que queimar cartucho agora. Ao contrário. Para chegar bem em 2022, é muito mais interessante para ele completar esse terceiro mandato – e claro: fazer o máximo para realizar um bom governo na Serra.
Nesse ponto, afirmam redistas, o prefeito está bem otimista, a partir de alguns fatores: primeiro, a crise econômica ainda não foi de todo superada, mas o pior, com certeza, já ficou para trás, o que abre novas perspectivas aos gestores municipais; além disso, a Prefeitura da Serra está prestes a receber mais de R$ 250 milhões, somados, de duas importantes linhas de financiamento: uma da Caixa Econômica Federal (Finisa) e uma do Ministério das Cidades (Pró-Municípios).
Ou seja: Audifax não quer entregar logo agora as chaves do município para sua vice, Márcia Lamas (PSB), e se lançar numa aventura ao governo com muito pouco a mostrar, se pode se lançar em 2022 com muito mais capital político acumulado, proporcionado pelas entregas que a Serra deve ter a partir de agora.
Tem mais: conforme revela um colaborador do prefeito, Audifax acha que tanto Hartung quanto Renato Casagrande (PSB) serão de novo candidatos ao governo. Por que ele vai entrar nessa dividida, numa eleição muito difícil para ele, jogando fora mais dois anos e meio de mandato na Prefeitura da Serra? Outro detalhe: em 2022, o prefeito terá 56 anos. Tem tempo de sobra. Supondo, ainda, que Marina se eleja presidente e apoie Audifax em 2022, isso naturalmente dará a ele muito mais força para chegar ao Palácio Anchieta.
Audifax, enfim, não tem por que se precipitar agora. E, com a eventual filiação de Rose, entregaria o que a direção nacional da Rede cobra dele – palanque próprio para Marina no Espírito Santo – sem precisar ir para o “sacrifício pessoal”. Falta só o principal: convencer a senadora. Indagada ontem pela coluna, Rose de Freitas confirmou ter sido convidada pessoalmente por Audifax, em Brasília, há alguns dias, mas reiterou: “Fico no PMDB”.
Audifax fica com Rose
A entrada de Rose na Rede é o cenário ideal para Audifax, mas outra certeza aparece: mesmo que não vá para a Rede, Rose terá o apoio do prefeito. Se Rose for mesmo candidata ao governo (e Audifax não), o redista ficará no palanque da senadora. Acima de tudo, por uma questão de lealdade e de retribuição.
Gratidão e retribuição
Audifax não é nem se considera adversário de Hartung. Tem boa relação com o governador e já foi até seu secretário de Planejamento, entre 2009 e 2010. Mas, segundo interlocutores do prefeito, ele reconhece que Rose o tem ajudado como ninguém e que tem sido fundamental na captação de recursos federais para a Serra, incluindo os das linhas de crédito citadas na coluna de hoje.
Hartung reage
Mas Hartung continua cortejando Audifax. Na manhã de ontem, a convite de Audifax, acompanhou o prefeito em visita técnica ao Hospital Materno-Infantil na Serra. Orçada em R$ 65 milhões, a obra – uma das maiores em andamento no Estado hoje – não tem recursos do Estado. São R$ 40 milhões da União e o resto da própria prefeitura. Porém, atendendo a um pedido de Audifax, Hartung garantiu recursos do Estado para aquisição de equipamentos e manutenção do hospital.
Aposta da Rede
Redistas estão convictos de que, se Hartung for para a reeleição, Rose não conseguirá legenda do PMDB para postular o governo. Acham que, para viabilizar candidatura, ela terá que trocar de sigla até o dia 7 de abril. Pensam, ainda, que essa é a melhor (e talvez última) chance de Rose se lançar ao Palácio Anchieta. Desta vez, se perder, ela tem mais quatro anos no Senado. Em 2022, se perder, fica sem mandato. São esses os argumentos que Audifax está usando para convencê-la.
Rose: “Nenhuma aposta”
Para aliados de Audifax, Rose no fundo aposta tudo em que Hartung não será candidato à reeleição, por isso insiste em ficar no PMDB. Rose não confirma nenhuma aposta de sua parte: “Não acho nada. Não sou capaz de fazer essa interpretação. Se eu fizer isso, estarei fazendo ilação, e isso eu não faço”.
Gandini e Edmar Camata
Fabrício Gandini conversa hoje com Edmar Camata. Vai reforçar convite para filiação de Camata ao PPS. Ainda sem legenda, o integrante da ONG Transparência Capixaba é pré-candidato a deputado federal.
Luiz Paulo na Executiva do PPS
O PPS quer filiar Luiz Paulo antes do dia 10 de março, data da convenção estadual da sigla. O motivo: Luciano e aliados querem que o ex-tucano faça parte da nova Executiva estadual, a ser eleito no mesmo dia. A tendência é que Gandini seja mantido na presidência estadual, em chapa única.