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Praça Oito

Aliados querem aproximar Theodorico do governo

É ano eleitoral e há quem aposte numa nova guinada do experiente parlamentar

Publicado em 11 de Junho de 2018 às 10:05

Públicado em 

11 jun 2018 às 10:05
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Theodorico Ferraço Crédito: Amarildo - GZ
Letícia Gonçalves (Interina)
Desde a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, ainda no início de 2017, Theodorico Ferraço, que viu Erick Musso ascender ao comando da Casa, passou a se manifestar como oposição ao governador Paulo Hartung. Tal oposição foi menos estridente que o anunciado pelo próprio Theodorico, mas até hoje ele mal pronuncia o nome do emedebista. Posto isso, é ano eleitoral e há quem aposte numa nova guinada do experiente parlamentar.
A deputada federal Norma Ayub, esposa de Theodorico, passou a comandar o DEM no Estado em março, o que deu ao deputado estadual a capacidade de levar as rédeas da legenda, até então palaciana desde o DNA, para outras bandas. Ocorre que o fator Ricardo Ferraço, filho de Ferração, pode mudar os rumos dessa história. Já se fala até que a influência do senador do PSDB no DEM estadual tem crescido exponencialmente, assim como a proximidade do tucano com o Palácio Anchieta.
Outro aliado do demista que frequenta os círculos palacianos quer unir esses dois mundos, apostando que Theodorico, em nome do filho pré-candidato à reeleição ao Senado – e de arranjos eleitorais –, vai ficar mais manso como a pomba do que prudente como a serpente.
“Estou tentando uma aproximação de Theodorico com o governo. Estou na política há muitos anos. Já vi amigo virar inimigo e inimigo virar amigo, só não pode perder o respeito”, pontua o amigo de Theodorico.
Ricardo Ferraço também espera a conciliação como desfecho. “A Norma, o meu pai, evidentemente que nós temos uma relação muito próxima. Estamos conversando muito e tenho muita fé e confiança que estaremos juntos no processo eleitoral de 2018”, afirmou. Theodorico já disse que não vai deixar de apoiar o filho, por óbvio, mas até onde vai esse apoio? Até uma certa construção histórica localizada na Cidade Alta? Seria possível uma aliança do DEM com o MDB de Hartung?
“Estamos dialogando. O tempo é aliado. Daqui até agosto, quando as convenções serão consolidadas, nós temos uma eternidade de tempo e vamos nos valer desse tempo para que a gente possa construir essa aliança. É nisso que eu acredito e estou dialogando nessa direção”, afirma Ricardo Ferraço.
Theodorico, por sua vez, reafirma o apoio ao filho. “Claro que vamos apoiar ele para senador. Mas a política de deputado estadual e federal vai girar em torno dos interesses dos candidatos a deputado.”
Já quanto à disputa para o governo estadual, apesar de a pré-candidatura de Ricardo Ferraço estar ligada ao Palácio, Theodorico prega uma curiosa “independência”. “Não há problema de haver coligação e independência partidária e política entorno do candidato a senador ou a governador”, diz.
“Apoiar o Ricardo, com certeza. Não precisamos nos preocupar com candidato a governador, pode haver até uma liberdade”, volta a frisar.
“E candidato (ao governo) atualmente só tem Rose e Casagrande. Eu falo com os dois. Só não falo com o governador.” E, mais uma vez, não fala o nome do governador.
Cardápio eleitoral
O ex-governador Renato Casagrande almoçou com o senador Magno Malta, no gabinete do parlamentar, em Brasília, há cerca de três semanas. No cardápio, carne e eleições. O socialista diz que não chegou a ser firmada uma aliança entre PSB e PR, mas ela não é impossível. “A conversa foi boa”, avalia.
Sem discriminação
O deputado federal Paulo Foletto também participou do encontro. “A conversa não foi aprofundada, mas não é descartada uma aliança. Vivemos em tempos em que alianças são necessárias e bem-vindas. Não há discriminação de aliança com o PR. Se a oportunidade aparecer ...”, afirma Foletto. Magno é pré-candidato à reeleição ao Senado e aliadíssimo de Jair Bolsonaro.
Vai não vai. Vai
De vez em quando surgem especulações de que o ex-secretário de Agricultura Octaciano Neto não vai mais disputar uma vaga na Câmara Federal. Um grão-tucano garante, no entanto, que a candidatura dele está mantida e que Octaciano está apenas um pouco “sumido” das agendas políticas porque tem se dedicado a um negócio pessoal. Na última sexta-feira, o ex-secretário esteve na residência oficial da Praia da Costa e participou do almoço com o presidenciável Geraldo Alckmin.
Tinha umas pedras no meio do caminho
Apesar de anunciada pelo presidente do PSD estadual, Neucimar Fraga, a pré-candidatura ao Senado do ex-secretário da Casa Civil José Carlos da Fonseca Júnior não foi lançada no último sábado. “É porque muita gente do partido foi para a Stone Fair (Feira do Mármore e do Granito, realizada na Serra)”, conta Neucimar. O lançamento de Zé Carlinhos deve ser realizado em outra data.
CENA POLÍTICA
O ex-vereador de Vitória e ex-subsecretário estadual da Pesca Zezito Maio, já folclórico por sua relação com o mar, peixes, mariscos e afins e por sua capacidade de fazer gracejos, nem sempre bem-sucedidos, atacou novamente na visita de Geraldo Alckmin à 45ª Feira do Mármore e do Granito, na última sexta-feira: “Se ele é chuchu, vai bem com camarão. Chuchu com camarão”, bradou, mais de uma vez, na chegada do tucano ao evento.
 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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