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Ameaça de invasão

Alagoano: o terror da guerra do tráfico nos morros de Vitória

Traficantes do Bairro da Penha estão dando apoio humano e logístico aos morros que se dispuserem, em troca das armas, a tomar os pontos do tráfico no Morro do Alagoano

Laila Magesk

Editora-adjunta

Publicado em 15 de Agosto de 2018 às 13:47

Publicado em

15 ago 2018 às 13:47
Muda o nome do morro, mas o sofrimento dos moradores é o mesmo. Desde a madrugada do último sábado (11), quem vive no Alagoano e em Caratoíra, em Vitória, está com medo. A violência já conhecida pela população se intensificou com tiroteios intensos entre gangues rivais que disputam o tráfico de drogas na região.
Nesta terça-feira (14), a sensação de insegurança também chegou a uma creche de Caratoíra. Um morador relata que muitos pais decidiram buscar as crianças mais cedo após a informação de um toque de recolher no bairro. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação de Vitória informou que as aulas não foram interrompidas no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Sinclair Phillips. 
Mas, se por um lado os cidadãos se escondem dentro de casa com receio de serem alvos de balas perdidas — como aconteceu com a grávida morta em Vitória, por outro, os bandidos fazem questão de ostentar armas e ameaçar grupos rivais. A denúncia foi feita pelo colunista Leonel Ximenes, em A Gazeta, nesta quarta-feira (15).
Após a publicação da coluna, um morador resolveu falar sobre o drama das comunidades. Segundo ele, na madrugada de sábado ocorreu a primeira tentativa de tomada do Morro do Alagoano.
"Foi um tiroteio intenso (ouça os tiros abaixo) durante aproximadamente 10 minutos sem cessar, e as armas eram de diversos calibres. Desde a madrugada de sábado estão acontecendo diversos tiroteios durante a madrugada. Ontem a creche de Caratoíra, que atende também os moradores do Alagoano, liberou as crianças às 14h".
Tiros no Morro do Alagoano
BAIRRO DA PENHA
O morador confirmou a participação de traficantes do Bairro da Penha na disputa pelo tráfico e aponta o responsável pelas últimas tentativas de invasão. 
Um jovem está realizando esses ataques no morro. Ele se juntou com traficantes dos bairros da Penha e São Benedito, em Vitória, para arquitetar os ataques e a tentativa de tomada do morro. Ele posta fotos fazendo ameaças e promessas de invasão ao Alagoano
Morador do Alagoano
As ameaças e a exibição de armas nas redes sociais, como a coluna contou nesta quarta, são também comprovadas pelo morador. Em páginas do Facebook e Instagram, que o Gazeta Online teve acesso, é possível ver imagens de armas e publicações dizendo que os criminosos vão voltar para casa, o que indica que eles estão fora do morro no momento. Situação parecida já foi relatada pelo Gazeta Online no Morro da Piedade
182
Além desse jovem citado pelo morador, outros criminosos fazem referência ao número 182 na internet. "O número 182 faz menção ao bairro Alagoano, pois existe uma linha de ônibus municipal a qual a numeração é 182 - Alagoano x Bairro da Penha - e os próprios moradores apelidaram".
DISPUTA NAS REDES SOCIAIS
Hoje a coluna Leonel Ximnes trouxe que "na última (e apressada) tentativa de tomar o Morro do Alagoano, no sábado de madrugada, traficantes do Bairro da Penha deixaram para trás uma espingarda (escopeta) calibre 12. Os bandidos do Alagoano, irônicos, agradeceram o 'presente' dos rivais nas redes sociais".
Segundo uma fonte ouvida pela coluna, há uma espécie de intercâmbio do crime. Traficantes do Bairro da Penha estão dando apoio humano e logístico aos morros que se dispuserem, em troca das armas, a tomar os pontos do tráfico no Morro do Alagoano.
Ao Gazeta Online, uma outra fonte confirmou que o Bairro da Penha quer crescer, já dominou a Ilha de Santa Maria e quer a Piedade, além de outros locais.
E, mais uma vez, no meio de toda essa briga, fica a população. 
Estamos correndo um risco imenso. O policiamento na região é precário e, desde o primeiro ataque, nada mudou em relação à frequência da polícia no bairro. Nós estamos totalmente vulneráveis, pois a qualquer momento pode ocorrer uma invasão, inclusive hoje (quarta) muitos pais não vão levar seus filhos ao CMEI, por receio de ocorrer algo
Morador do Alagoano
ANÁLISE
Inicialmente, é importante destacar que estudos apontam a correlação entre os locais com intensas movimentações de tráfico de drogas ilícitas e os crimes violentos contra a pessoa, em especial, o homicídio. 
Quando criminosos de determinada localidade, representando associações criminosas (conhecidas como quadrilhas, bondes e etc.) entram em confrontos armados, geralmente em espaços públicos pela disputa referente ao comando do tráfico, colocam em risco toda a coletividade, fazendo com que qualquer cidadão se torne uma potencial vítima de homicídio.
Ainda, verifica-se que esses criminosos estão fazendo uso de redes sociais enviando recados para grupos rivais e para população, geralmente com algumas finalidades: demonstrar poder de fogo, desafiar as autoridades e, ainda, inibir eventuais denúncias da população.
Thiago Andrade
Mestre em Segurança Pública e Professor universitário

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