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Vitor Vogas

Acusado em greve da PM será assessor de deputado na Assembleia

Reeleito pela coligação de Manato, Hudson Leal nomeou Walter Matias Lopes para cargo comissionado em seu gabinete. Walter é ex-policial e chegou a ser preso por participação na greve

Publicado em 18 de Outubro de 2018 às 16:30

Públicado em 

18 out 2018 às 16:30
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Desligado da PMES em 2016 e acusado de ser um dos articuladores da greve de fevereiro de 2017, Walter Matias Lopes acaba de ganhar cargo comissionado na Assembleia Crédito: Carlos Alberto Silva
Acusado de ser um dos organizadores da greve da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) em fevereiro de 2017, o ex-soldado Walter Matias Lopes foi nomeado nesta quinta-feira (18) para exercer cargo de assessor de gabinete do deputado estadual Hudson Leal, na Assembleia Legislativa.
No dia 7 de outubro, o deputado foi reeleito pelo PRB, dentro da "coligação bolsonarista" liderada pelo deputado federal Carlos Manato (PSL), candidato derrotado ao governo estadual.
De acordo com a edição desta quinta-feira do Diário do Poder Legislativo, Matias vai ocupar o cargo comissionado de técnico júnior de gabinete de representação parlamentar, por solicitação do próprio Hudson Leal. Para exercer a função, ele vai receber salário bruto de R$ 4.283,63 mensais, com carga horária de 40 horas semanais. O ex-PM ainda não tomou posse.
Desligado da PMES em abril de 2016, o ex-soldado Matias chegou a ser preso sob a acusação de ter incentivado o movimento paredista em fevereiro de 2017.
Segundo investigação da Corregedoria da PMES, ele fez discursos nas manifestações, ajudou a articular o movimento e conclamou os policiais a se aquartelarem. Seu nome aparece ainda em investigação da Polícia Federal, com ligações ao grupo de Bolsonaro. Por ocasião da greve, Matias era o presidente da Associação de Benefícios aos Policiais e Bombeiros Militares do Espírito Santo (Aspobom). 
Na noite da véspera do início do motim, Matias alertou seus seguidores em uma rede social: "Amanhã a Polícia Militar vai parar. Pior Salário do Brasil". Em seguida, convocou: "Você, admirador da Polícia Militar, está convidado para participar do movimento amanhã".
Matias é politicamente ligado a Carlos Manato. Em entrevista publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo", no dia 25 de fevereiro de 2017, o próprio deputado confirmou o vínculo: "O Matias me ajuda nas redes sociais, nas minhas coisas". 
Assim como Manato, Matias é apoiador de Bolsonaro na eleição à Presidência da República. Ele também fez campanha para Capitão Assumção (PSL) na eleição a deputado estadual.
Capitão Assumção já foi deputado federal. Ele assumiu em 2009 como 1º suplente de Neucimar Fraga, quando este se elegeu prefeito de Vila Velha Crédito: NA | Arquivo
ASSUMÇÃO
Policial da reserva, Assumção acaba de ser eleito para exercer o primeiro mandato de deputado estadual – ele já foi deputado federal, de 2009 a 2011. Assim como Matias, Assumção apoia Bolsonaro, de quem é amigo. E, assim como Matias, é acusado de ter participado da articulação do movimento e chegou a ficar preso por alguns meses. Durante a greve da PMES, Bolsonaro chegou a saudar Assumção em um vídeo gravado por ele para os seus apoiadores. 
Para a Corregedoria da Polícia Militar, Assumção agiu na "articulação, coordenação, manipulação, promoção, incentivo e divulgação das atividades do movimento grevista. Postou vídeos, percorreu batalhões, subiu em carros de som fazendo discursos de incentivo ao movimento, teria intimidado militares do Exército e feito ameaças, caso fosse feita alguma coisa contra os militares grevistas".
Walter Matias Lopes e Izabela Renata Andrade chegaram a ser presos, acusados de envolvimento na greve da PMES Crédito: Reprodução/Facebook
MULHER DE MATIAS
A mulher de Matias, Izabella Renata Andrade Costa, também é acusada de ter incentivado a paralisação e ajudado a organizá-la. Ao lado do companheiro, ela chegou a ser presa por participação no movimento paredista. Na época, Izabella era assessora de gabinete de Carlos Manato na Câmara Federal.
Segundo as investigações da Corregedoria da PMES, além de também incentivar a manifestação, Izabella engrossou as fileiras em frente aos quartéis e ajudou a distribuir alimentos às mulheres, segundo publicou em sua conta no Facebook.
Matias, Assumção e Izabella sempre negaram as acusações.
"De forma alguma ameacei alguém. Não incentivei nada, não mobilizei os policiais nos batalhões", afirmou Matias, em reportagem publicada pelo jornal A GAZETA no dia 1º de março de 2017.
Já Manato sempre negou ter dado apoio aos manifestantes. O deputado, no entanto, é autor de um dos projetos que tramitam na Câmara Federal para conceder anistia irrestrita a todos os participantes da greve.
Hudson Leal é deputado estadual e se reelegeu no último dia 7 de outubro Crédito: Carlos Alberto Silva
BANCADA DA FARDA
No Espírito Santo, o PSL, partido de Manato e Bolsonaro, foi o que elegeu a maior bancada na Assembleia para a próxima legislatura (2019-2023), já apelidada de "bancada da farda". Dos quatro deputados eleitos, três são policiais, sendo dois oriundos da PMES (Capitão Assumção e Coronel Quintino) e um da Polícia Civil (o delegado Danilo Bahiense). O quarto deputado eleito pelo partido é o jornalista Torino Marques.
Hudson Leal se reelegeu pela mesma coligação, a qual reuniu PSL, PR e seu partido, o PRB. Segundo a coluna apurou, o deputado nomeou Matias atendendo a um pedido de terceiros (não identificados).
O deputado não retornou a mensagem e as ligações da coluna. 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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