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Dom, 23 de Janeiro de 2022

Entenda os dados de violência que a pandemia mudou em um ano no ES

Se por um lado a 15ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento dos crimes que resultam em morte, a compilação revela que os crimes contra o patrimônio no Espírito Santo reduziram

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 28/07/2021 às 02h01
Homem de 27 anos foi assassinado em Ilha dos Ayres
Assassinato em Vila Velha: registro de mortes violentas aumentou. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

Aumento dos assassinatos, redução dos crimes contra o patrimônio, seis cidades capixabas no grupo dos municípios brasileiros que registraram taxas de mortes violentas intencionais superiores à média nacional. Esses são alguns dos recortes sobre o Espírito Santo que foram apontados pela 15ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O documento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no último dia 15, tem base em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes da Segurança Pública.

Um dos dados sobre o Estado é o aumento das Mortes Violentas Intencionais (MVI), que correspondem à soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. 

De acordo com o anuário, 1.103 pessoas foram vítimas de homicídio doloso no Estado no ano passado. Em 2019, foram 987. Os números indicam aumento de 11,7%. Sobre os latrocínios, em 2019, o governo contabilizou 26 registros.  Em 2020, foram 39 casos.

Na avaliação do professor em Mestrado de Segurança Pública da UVV, Henrique Herkenhoff, todos os números apontados pelo levantamento apresentado pelo Fórum de Segurança foram afetados pelo enfrentamento ao novo coronavírus no Brasil.

"Em relação aos homicídios, não se sabe bem o que a pode ter provocado. Isso dependeria de informação de inteligência. Pode ter sido uma disputa de tráfico que se intensificou e, às vezes, depois desaparece. Um outro elemento que houve é uma redução bastante grande do efetivo policial, que é a Polícia Civil. Isso pode ter enfraquecido a repressão", aponta.

Um dos apontamentos mostra que seis cidades do Espírito Santo registraram taxas de mortes violentas intencionais superiores à média nacional. De acordo com o anuário, CariacicaLinharesSerraGuarapariVila Velha e São Mateus compõem a lista das cidades com média superior ao índice nacional, que é de 23,6.

Questionado sobre o que pode ter provocado o aumento das Mortes Violentas Intencionais, o subsecretário de Estado de Integração Institucional da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), Guilherme Pacífico, disse que a pandemia impactou em diversos cenários. No entanto, segundo ele, 2021 tem 8% de redução dos crimes letais intencionais comparado a 2020.

"Nós tivemos prejuízo na educação, emprego e renda e em diversas outras pastas. Tem cenários que vão ser observados quando verificarmos os anos de 2020 e 2021 ou até quando perdurar a pandemia. Naquele primeiro momento de 2020, no início da pandemia, não se tinha informação para o devido manejo social, nem as polícias, do mundo inteiro, tinham os EPIs necessários, não sabiam lidar. Hoje já temos conhecimento e o avanço da vacinação. Tudo isso influencia", analisa.

ACOMPANHAMENTO

Considerando a importância dos dados revelados pelo Fórum Brasileiro, o subsecretário da Sesp, Guilherme Pacífico, informa que, a partir de 1996, o Espírito Santo faz uma "computação criteriosa sobre os crimes violentos letais intencionais".

Guilherme Pacífico

Subsecretário da Sesp

"O Espírito Santo tem um marco. Em 1992, ultrapassa a barreira de mil homicídios. Em 2009, ultrapassa a barreira dos 2 mil homicídios. Já em 2019, o Estado registrou menos de mil homicídios. Se nada fosse feito nesses anos, a tendência é que a gente estivesse se aproximando dos 3 mil"

Pacífico reforça que um dos enfrentamentos propostos pelo governo do Estado está focado na redução da violência letal, com o programa Estado Presente. "Há ações específicas, fortalecimento das DHPP, trabalho de integração das polícias, foco nas prisões qualificadas dos homicidas e retiradas de armas de circulação", pontua.

ROUBOS E FURTOS

Se por um lado o anuário aponta aumento dos crimes que resultam em morte, a compilação revela que os crimes contra o patrimônio no Espírito Santo reduziram. No ano passado, os criminosos roubaram 1.480 estabelecimentos comerciais. Em 2019, 1.993 pontos foram alvos dos bandidos. O documento também revela redução dos crimes a pedestres e a instituições financeiras.

Para o mestre e professor em Ciência Política, Deivison Pegorezi, a redução está relacionada à queda da interação social geral provocada pelas normas de distanciamento social determinadas pelo governo para evitar o contágio pela Covid-19. 

“Houve uma redução de oportunidades de crime em função das normas de distanciamento social e redução das atividades econômicas, especialmente comércio. Menos pessoas nas ruas, logo menos roubo e menos coisas para roubar. Com as casas ocupadas, menos furtos em residências”, destaca.

O professor do Mestrado de Segurança Pública da UVV, Henrique Herkenhoff, concorda com a influência da pandemia na redução dos índices.  "As pessoas ficaram mais em casa e tivemos redução dos crimes da rua. Como as pessoas ficaram mais dentro de suas residências, houve diminuição dos arrombamentos", explica.

Relacionados aos crimes contra o patrimônio, outros dados que tiveram queda foram os furtos e roubos de veículos. No ano passado, 3.721 bens foram roubados. Em 2019, a polícia registrou 3.957 ocorrências do tipo. 

Guilherme Pacífico  destaca o trabalho policial, mas ressalta que o comportamento das pessoas durante a pandemia pode ter contribuído.

"No cenário nacional, houve redução de crimes patrimoniais em todo o país. A pandemia foi ingrediente nessa redução. Mas acompanho os dados e não posso deixar de destacar os esforços policiais", afirma.

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