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Ginecologia Natural: práticas propõem conexão com o autoconhecimento

O método terapêutico propõe uma conexão com os elementos da terra e os conhecimentos tradicionais, além de ser um convite ao autoconhecimento feminino, dando às mulheres o poder de decisão nos tratamentos ginecológicos

Publicado em 14/08/2020 às 18h06
Marcella Uliana
A médica Marcella Uliana vê a ginecologia natural como uma forma de proporcionar às mulheres um tratamento terapêutico. Crédito: Reprodução/ Intagram

“Conhece-te a ti mesmo” é um mantra muito difundido a partir do filósofo Sócrates e reflete a constante busca pelo autoconhecimento. Essa filosofia pode ser diretamente relacionada à ginecologia natural, que visa conhecer melhor os ciclos femininos com objetivo de empoderar as mulheres na relação com seus próprios corpos, e que elas assumem o papel de protagonistas nas decisões de sua saúde. O método é um resgate dos conhecimentos adquiridos pelos povos originários e tem retornado não só aqui no Brasil como em outros países latinos, como Peru e Argentina.

Marcella Uliana é médica, especialista em saúde integrativa e trabalha ajudando diversas mulheres através da ginecologia natural. “É uma prática de autonomia da saúde, em que a mulher tem o maior domínio sobre seu próprio corpo, sobre o ciclo menstrual e as mudanças que acontecem ao longo da vida”, explica. A médica destaca que a prática entende o corpo feminino como extensão da natureza e os tratamentos são feitos a partir de ferramentas naturais como a fitoterapia, que é o estudo das plantas medicinais. Além de ser um resgate das sabedorias ancestrais.

As diferenças entre a ginecologia tradicional ocidental e a natural são as abordagens de cada uma. De acordo com Marcella, enquanto o método tradicional é focado em resolver as doenças e rastrear as patologias femininas, a prática natural foca na causa do desequilíbrio, potencializando o funcionamento do corpo da mulher com a ajuda dos métodos naturais.

Marcella Uliana

Médica

"É perceber o nosso útero e a nossa feminilidade como uma força, um potencial infinito criativo, para a gente co-criar e manifestar tudo o que quisermos na nossa vida"

Em busca de uma reconexão com as suas origens, a psicóloga Claudinete Ribeiro viu na ginecologia natural uma forma de realizar o sonho de ser mãe. Sua avó foi uma parteira tradicional de São Gabriel da Palha, no norte do Espírito Santo, que ajudou muitas mulheres através dos conhecimentos nativos aliado ao poder das ervas medicinais. “Ela foi a parteira da minha mãe. Então, eu vim da ginecologia natural”, conta.

Desintoxicação dos hormônios

Após anos tomando anticoncepcional, aos 39 anos a psicóloga foi diagnosticada com menopausa precoce, e ela estava inerte ao quadro de infertilidade. A partir disso, a psicóloga se lembrou de como sua avó resolvia esse tipo problema e procurou a Marcella para um tratamento natural de desintoxicação dos hormônios contraceptivos. Nesta finalidade, o método adotado foi a limpeza do útero na lua cheia com ervas específicas. “Em duas ou três luas, a minha menstruação voltou e quando a médica repetiu o exame, o número de óvulos aumentou mais de 100 vezes”, relembra a psicóloga.

Claudinete Ribeiro e Ana Luz
Com a ajuda da ginecologia natural, a psicóloga Claudinete Ribeiro realizou o sonho de ser mãe da Ana Luz. Crédito: Reprodução/ Intagram

Pouco tempo depois, Claudinete ficou grávida da pequena Ana Luz, que tem 10 meses. A ginecologia natural proporcionou que a psicóloga entrasse em sintonia com a maternidade tão sonhada. “A minha grande realização como mulher foi poder gerar, colocar uma vida no mundo, ter a minha filha”, diz.

Para a psicóloga Veruska Galvão, esse método terapêutico foi fundamental no seu processo de autoconhecimento. “A ginecologia natural me ajudou no autocuidado e na manutenção da minha saúde, além de ganhar consciência sobre o meu corpo e entender as necessidades dele”, conta. A prática também ajudou a se curar da Fadiga da Adrenal, uma doença ginecológica conhecida por acarretar desequilíbrios hormonais.

Dentre as patologias que podem ser tratadas com a abordagem natural, estão a vaginose, síndrome do ovário policístico, amenorreia, infertilidade, endometriose, distúrbios de menopausa e fluxo menstrual intenso. 

Embora não seja reconhecida oficialmente pelas autoridades de saúde, a ginecologia natural é capaz de ser uma aliada à medicina tradicional. A ginecologista Andrea Rebello diz em seu blog que o método é mais uma opção de tratamento para ampliar o leque de decisões das mulheres. “Os tratamentos naturais vêm trazer outras opções e estimular uma escolha consciente”, conclui.

Os rituais da ginecologia natural

De acordo com a médica Marcella Uliana, os métodos adotados pela ginecologia natural são inúmeros, e vai depender muito do caso e do que cada mulher se propõe a realizar. Ela enumera alguns:

Conexão com a Lua: as mulheres estão hormonalmente interligadas com as fases da lua. Isso é capaz de ajudar a entender o ciclo menstrual feminino. 

Banhos de Assento: é feito um chá de alguma erva medicinal que tenha propriedades específicas. Coloca em uma bacia com água morna e a mulher senta sobre o recipiente durante uns 15 minutos. É indicado para tratar vaginoses e candidíases, por exemplo.

Mandala Lunar: tem tudo a ver com o ritual de Conexão com a Lua, já que as mulheres possuem o ciclo menstrual muito semelhante ao ciclo lunar. O método observa a coloração e consistência dos fluidos cervicais diários, a fim de perceber possíveis mudanças.

Uso do coletor menstrual ou calcinhas absorventes: a ginecologia natural está diretamente relacionada ao ecofeminismo, segundo a médica. Uma mulher gasta em média 10 mil absorventes durante sua vida, que além de poluir a natureza, também prejudica a flora vaginal. Então, novas formas de higiene pessoal vêm para reduzir a produção de lixo.

Plantar a Lua: a menstruação é chamada de lua na ginecologia natural. Portanto, consiste plantar o sangue menstrual em uma jardim ou vaso de plantas, como forma de devolver à terra os nutrientes, como um adubo.

Vaporização do Útero: é um ritual ancestral em que se aquece ervas específicas em uma bacia com água quente e o vapor gerado leva ao útero as propriedades dessas plantas.

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