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Prefeitura desenvolve projeto para garantir água a pequenos produtores

Com mais da metade das terras degradadas a saída é fazer a retenção de água no solo

Publicado em 08/12/2020 às 11h35
Atualizado em 08/12/2020 às 11h35
Seu Alvim e seu projeto da barragem em Atílio Vivácqua
Seu Alvim . Crédito: Marcio Menegussi

Nos últimos anos, produtores rurais de Atílio Vivacqua, Sul do Estado, têm encontrado problemas em suas áreas de produção: a degradação ambiental. A terra que antes era fértil e produzia bastante, passou a perder força, o verde deu lugar a uma área seca e sem vida. Situação que o produtor rural, Edson Moulon, não quer continuar vivendo.

“A gente passou por um processo de seca muito grande em anos anteriores. Antes chegava aqui na propriedade e encontrava o pasto degradado. Além disso, toda a água da chuva não ficava, descia o morro direto, ia para o rio e a gente perdia”, contou Edson. Mas,há dois meses, entrou em um projeto para mudar essa realidade.

Foto da barragem do Seu Alvim
Projeto de barragens desenvolvido pela prefeitura de Atílio Vivacqua. Crédito: Marcio Menegussi

O projeto que participa é o barraginhas, desenvolvido pela prefeitura de Atílio Vivacqua em parceria com o governo do Estado do Espírito Santo. Ele faz parte de um pacote de ações que a cidade realiza desde 2018, depois do município passar quatro anos vivenciando um processo de degradação.

“A gente ouvia muito falar sobre barraginhas, então, decidimos ir atrás para trazer essa tecnologia para a cidade. Durante uma capacitação, em Vitória, conhecemos o professor Luciano Cordoval, da Embrapa, que nos convidou a ir até Minas Gerais conhecer os sistemas”, explicou o secretário de Meio Ambiente de Atílio Vivacqua, Márcio Menegussi.

Após a ida até Sete Lagoas(MG), começou o processo de implantação do sistema na cidade no fim de 2019. Os sistemas usados nas propriedades são barraginhas - barragens pequenas construídas na parte da alta da propriedade - e também curva de nível com caixa, sistema pioneiro no Espírito Santo. Os dois sistemas exercem a mesma função, que é reter água no solo.

Degradação

A cidade de Atílio Vivacqua tem um território de 248 km² e desse total, apenas 13% é área de cobertura florestal. Como as árvores têm papel fundamental na retenção e infiltração da água no solo, a pequena área de floresta não dá conta e faz com que haja maior desequilíbrio do solo.

Componentes da barragem.
Articulação e desenvolvimento do projeto das barragens em Atílio Vivacqua. Crédito: Marcio Menegussi

“Hoje, mais da metade do território é de área de pastagem e mais da metade dessa área sofre algum tipo de degradação, por isso, estamos atacando esse problema com o projeto”, explica o secretário. São cerca de 30 produtores que foram contemplados com o projeto e até o fim do projeto serão 220.

Recuperação

Um dos produtores que recebeu o sistema de curva de nível em suas terras foi o Edson. Ele cultiva café e cria gado de leite, é do trabalho no campo que vem o sustento da família, só que a área de pasto dos animais estava sumindo. Foi então que aceitou fazer parte do projeto e quase dois meses depois, vê resultados.

“Já dá pra gente ver a diferença, o capim vem com força! Se Deus quiser o projeto vai dar certo. Tenho outra propriedade que foi feita a curva de nível com caixa e ficou bom, era uma área muito mais degradada”, revelou!

Barragem Seu Alvim
Propriedade rural contemplada pela barragem. Crédito: Marcio Menegussi

Outra propriedade que também recebeu o sistema foi a do senhor Manoel Moreira, 77 anos, que mora na localidade de Independência. Em suas terras, o trabalho realizado foi o de barraginhas, e viu muita mudança.

“O nosso pasto estava ruim para os animais, não tinham mais o que comer. Depois da construção mudou muita coisa, o capim permanece verde, e está bem melhor. Eu via os comentários e esperava que desse certo aqui, como deu, porque a água tá ficando no solo” contou o produtor que implantou o projeto na propriedade há cerca de quatro meses.

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