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Venezuelanos com ensino superior tentam recomeçar a vida no Brasil

Estudo da Polícia Federal mostra que 15% dos imigrantes são engenheiros, médicos ou economistas

Publicado em 16/02/2018 às 08h17
Venezuela. Crédito: Reprodução/Pixabay
Venezuela. Crédito: Reprodução/Pixabay

O perfil dos imigrantes que fogem do governo Maduro e da aguda crise venezuelana é variado e não se resume a parcelas populacionais de baixa escolaridade e de regiões de periferia. É o que mostra um estudo da Polícia Federal feito com base numa amostra de três mil refugiados venezuelanos que chegaram ao Brasil em 2017.

Do total de 17,8 mil venezuelanos que migraram para o Brasil no ano passado, 1,9 mil (6,2%) são engenheiros e 862 (4,8%) são médicos. A mesma quantidade (4,8%) se declarou economista. Também estão no topo da lista professores e funcionários da aeronáutica venezuelana.

Engenheiro civil formado há cinco anos, Pablo Veneiros, de 35 anos, deixou a região central de Caracas há 30 dias. Pensou, inicialmente, em se refugiar na Colômbia. Mas desistiu e veio para o Brasil. Ao chegar em Boa Vista, onde imaginava que fosse encontrar emprego na construção, o que conseguiu foi apenas um “bico” de ajudante de obras.

— Mas o trabalho durou apenas 12 dias. Desde então, não consigo ganhar um trocado sequer. Saí da Venezuela pois meu país está destruído. Quem não sai de lá é porque tem medo de se arriscar, e acaba passando fome —lamenta.

O drama de Pablo é um retrato da realidade da vida dos venezuelanos em Boa Vista, onde, estima a prefeitura local, mais de 10% da população já é composta por venezuelanos. Juan Aranio, imigrante da cidade de El Tigre, localizada no estado de Anzoátegui, tem vagado há 15 dias pelas ruas à procura de um trabalho. Ele diz ter experiência em diferentes áreas da construção civil, mas, no Brasil, não consegue qualquer recurso que não seja por meio de doações.

No peito, o venezuelano carrega uma placa de papelão amarrada com barbantes onde, em letras garrafais, implora por trabalho.

— Deixei minha filha e quatro filhos na Venezuela. Percorri 1,6 mil quilômetros até aqui, caminhei sob sol quente por dias e dias. Agora busco algum trabalho para poder trazer minha família. Na Venezuela não temos condições de ficar. Só se vê fome, falta de medicamento e caos social — afirma.

Segundo o estudo, 58% dos imigrantes são homens e 78% deles são solteiros. A maior parte deixou o país vizinho com a esperança de arrumar trabalho e mandar dinheiro para a família. O governo local estima que atualmente cerca de 40 mil venezuelanos já estejam em Boa Vista, fugindo da crise na Venezuela. Esse número é maior do que o que consta nos registros da Polícia Federal, pois parte dos venezuelanos entra no Brasil de forma ilegal e não pede refúgio ao governo brasileiro.

A secretaria de Comunicação do Governo do Estado de Roraima informou que vai realizar ações coordenadas com o governo federal na tentativa de melhorar o atendimento aos imigrantes. Como mais de 25% dos imigrantes alegam possuir o curso superior, o governo de Roraima disse que o o governo federal vai trabalhar no “sentido de garantir a revalidação dos diplomas de professores e médicos”.

Em visita a Roraima, o ministro da Justiça, Torquato Jardim,, disse que haverá um reforço para abrigar de forma mais humanitária os venezuelanos. “Vamos fortalecer o Centro de Referência ao Imigrante, tanto em Boa Vista quanto em Pacaraima, que já solicitou recursos de R$ 400 mil para esse trabalho. O Conare (Comitê Nacional de Refugiados) vai instalar um centro descentralizado em Boa Vista”, declarou o ministro.

Com relação ao fluxo migratório ilegal, o governo disse que as Forças Armadas vão reforçar também a vigilância de fronteira, com motocicletas e equipes volantes em pontos além dos postos de fronteiras.

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