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Veja fatos que fizeram a Volta da França 2021 entrar para a história

Bicampeão mais jovem, acidente recorde, volta por cima de Cavendish, o retorno de Chris Froome... LANCE! mostra o porquê de edição deste ano do Tour ter sido marcante...

Publicado em 20/07/2021 às 12h29
Atualizado em 20/07/2021 às 16h02
 Crédito: Ciclistas na primeira etapa da Volta da França (Thomas SAMSON / AFP
Crédito: Ciclistas na primeira etapa da Volta da França (Thomas SAMSON / AFP

Mais importante evento do ciclismo, a Volta da França terminou no último domingo (18) com a vitória de Tadej Pogacar. O esloveno, de 22 anos, tornou-se o bicampeão mais jovem em 108 edições do Tour.

Em 2020, o esloveno da equipe Emirates não era o favorito. Mas acabou campeão ao assombrar na penúltima etapa (um contrarrelógio) tirando um minuto de diferença para o então primeiro colocado Primoz Roglic (equipe Jumbo), também esloveno.

Na edição deste ano, mais uma vez Roglic era o favorito. Mas uma queda na terceira etapa comprometeu a sua performance e Roglic abandonou a disputa na etapa 9. Assim, Pogacar aproveitou para reinar. Assumiu a Camisa Amarela a partir da etapa 9 para não perdê-la mais. Ganhou três etapas, incluindo a mais difícil (a "Rainha"), que foi a 17ª. Naquela altura já tinha mais de 5 minutos de vantagem para o segundo colocado.

E Tadej Pogacar não ficou apenas com o título geral (camisa amarela). Foi também o Rei da Montanha, o melhor nas escaladas, ficando com a mítica caminha branca com bolinhas. Como tem 22 anos, ainda levou a camisa branca (de melhor ciclista jovem). Pogacar pinta como o novo superastro do ciclismo.2 - Mathieu Van Der Poel

O holandês Mathieu Van Der Poel (equipe Alpecin) protagonizou um dos grandes momentos do Tour de France. Embora seja um ciclista de ponta, não é no ciclismo estrada que ele fez a sua fama, mas no Cross Country (é tetracampeão mundial) e no Mountain Bike (campeão europeu). Ele já tinha vencido algumas provas clássicas (como o Tour de Flandres em 2020), mas jamais uma etapa das três grandes provas (Tour, Giro da Itália e Volta da Espanha).

Para o Tour-2021, ele tinha uma fixação: vencer uma etapa e tentar usar pelo menos por um dia a camisa amarela. E por um motivo particular. Ele é filho de Adri Van der Poel, ciclista que venceu duas etapas do Tour de France e foi hexacampeão holandês, além de campeão também no Cross Country. E, principalmente, homenagear o seu avô, o francês Raymond Poulidor, chamado de eterno vice do ciclismo, pois foi cinco vezes o terceiro colocado e três vezes o segundo da Volta da França (ele ganhou a Volta da Espanha).

Raymond morreu em 2019 e Mathieu queria fazer essa homenagem. Correu com as cores da camisa do avô na primeira etapa e, ao vencer a etapa seguinte, uma surpresa, conseguiu a sonhada camisa amarela. Ele seguiu na liderança até a oitava etapa, quando foi superado por Tadej Pocagar.

Como era esperada a sua queda de ritmo, Van der Poel abandonou o Tour. E por um motivo dourado. Ele defenderá a Holanda na prova de Cross Country nos Jogos Olímpicos do Japão como o maior favorito. Como a chance de vencer o Tour era próxima de zero (as grandes montanhas nas etapas da semana 2 e 3 dinamitariam o seu tempo), resolveu descansar para buscar o ouro. Para o Tour, a sua presença foi considerada um gol de placa. O Cross Country e o Mountain Bike fazem muito sucesso entre os adolescentes e Poel é um grande ídolo, que levou um novo público para o ciclismo de estrada.3 - Acidente recorde

Após anos vendo rivais como o eslovaco Peten Sagan (Bora) conseguindo vitórias relevantes e históricas, o velocista britânico Mark Cavendish (Equipe Quick Step) reencontrou o caminho do sucesso neste Tour de France. Ele venceu quatro das 21 etapas em alto estilo e ficou com a camisa verde (a segunda em importância, de campeão por pontos), o que não conseguia desde 2011. Além disso, igualou o número de vitórias em etapas da Volta da França do belga Eddy Merckx, que é o Pelé do ciclismo (reinou nos anos 60 e 70). Cavendish chegou a 34 triunfos e por muito pouco não quebrou o recorde na última etapa, em Paris - terminou em terceiro. Aos 36 anos e defendendo uma equipe de ponta, a Quick Step, tem tudo para conseguir este recorde na próxima temporada.5 - Wout Van Aert, o mais completo

A fera belga da equipe Jumbo saiu da edição de 2021 da Volta da França em alta. Ratificou a sua fama de ciclista mais completo do momento, pois é capaz de brigar por vitória em todas as variantes do esporte: etapas de montanha, contrarrelógio e planas. E o fez em grande estilo. Ganhou a etapa de montanha mais equilibrada (a 11ª), foi o vencedor da etapa 20 (de contrarrelógio) e ainda levou a plana mais relevante do Tour, a 21ª com chegada em Paris. E evitou o recorde de Mark Cavendish. O belga agora vai para os Jogos Olímpicos de Tóquio como favorito ao ouro na prova de ciclismo estrada e com muita chance de medalha no contrarrelógio.6 - Chris Froome voltou!

O antigo Rei do Tour, Chris Froome (agora na equipe Israel), tetracampeão da volta, retornou após recuperar-se de um grave acidente em 2019 que quase o matou. Em um treino para a Criterium (uma prova tradicional que sempre ocorre antes da Volta da França), quebrou fêmur, cotovelo e costela. Após dois anos, ele voltou a disputar a competição que ganhou em 2013, 2015, 2016 e 2017. Não ficou bem colocado, mas deu indícios de que pode voltar a ser um ciclista de ponta.7 - Abandonos

Muitos ciclistas favoritos abandoram o Tour. Da turma velocista, Peter Sagan, sete vezes campeão por pontos (camisa verde) sofreu um acidente ao chocar-se com outro velocista favorito, o australiano Caleb Ewan. A batida fez Caleb abandonar o Tour. Sagan ainda tentou se manter na prova. Porém, com o joelho lesionado, abandonou na 11ª etapa, quando viu que não teria condições de competir pelo título com Mark Cavendish. E o pior: o exame que fez logo em seguida apontou para a necessidade de uma cirurgia. O astro eslovaco fez a operação, mas está fora da temporada. Sem Caleb e Sagan, Cavendish reinou absoluto.

Na classificação geral também ocorreram desistências relevantes, e não apenas de Primoz Roglic e Van der Poel (ambos por lesão). Outras feras que não ficaram até o fim foram o italiano Vincenzo Nibali (Trek) e o espanhol Miguel Ángel López (Movistar). Ambos ficaram muito longe dos primeiros lugares.CLASSIFICAÇÃO FINAL DA VOLTA DA FRANÇA APÓS 21 ETAPAS

Geral (Camisa amarela)1º Tadej Pogacar/ESL (Equipe Emirates) 82h56min36s2º Jonas Vingegaard/DIN (Jumbo Visma) +5m20s3º Richard Carapaz/EQU (Ineos Grenadiers) +7m03s4º Ben O'Connor/AUS (AG2R Citroen) +10m02s5º Wilco Kelderman/ALE (Bora) +10m13s6º Enric Mas/ESP Movistar +11m43s7º Alexey Lutsenko/CAZ (Astana) +12m23s8º Guillaume Martin/FRA (Cofidis) +15m33s9º Peio Bilbao/ESP (Bahrain) +16m04s10º Rigoberto Uran/ESP (EF Education) +18m34s

Por pontos (Camisa Verde)1º Mark Cavendish/ING (Quick Step) 337 pontos2º Michael Matthews/AUS (Bike Exchange) 2913º Sonny Colbrelli/ITA (Bahrain) 2274º Jasper Philipsen/BEL (Alpeci Fenix) 2165º Wout Van Aert/BEL (Jumbo Visma) 1716º Matej Mohoric/ESL (Bahrain) 1637º Julian Alaphilippe/FRA (Quick Step) 163

Melhor montanhista (Camisa Branca de bolinhas)1º Tadej Pogacar/ESL (Emirates) 107 pontos2º Wouter Poels/HOL (Bahrain) 88 3º Jonas Vingegaard/DIN (Jumbo-Visma) 82 4º Wout van Aert/BEL (Jumbo-Visma) 685º Nairo Quintana/COL (Team Arkea-Samsic) 66

Mais jovem (Camisa branca)1º Tadej Pogacar/ESL (Equipe Emirates) 82h56min362º Jonas Vingegaard/DIN (Jumbo Visma) +5m20s3º David Gaudu/FRA (Groupama-FDJ) +21m50s

Melhor equipe1º Bahrain - 249h35m59s2º EF Education + 19min12s3º Jumbo-Visma + 1h11min35s

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