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Relatório

PF não vê indícios de crime de jornalista em reportagens contra Dino

Polícia Federal enviado a Alexandre de Moraes, do STF, diz não ser possível afirmar que o pagamento de R$ 100 mil ao jornalista de Luís Pablo tenha sido feito para publicar conteúdos

Publicado em 19 de Agosto de 2026 às 14:36

Agência FolhaPress

Publicado em 

19 ago 2026 às 14:36
BRASÍLIA, DF - Um relatório da Polícia Federal enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), diz que não é possível afirmar que o pagamento de R$ 100 mil ao jornalista de Luís Pablo tenha sido feito para publicar reportagens negativas contra o ministro Flávio Dino.
O documento, assinado em maio por um agente da PF, faz análise do conteúdo do celular de Luís Pablo, que tinha sido apreendido em março por ordem de Moraes, e sugere a necessidade de maior avaliação sobre o conteúdo do aparelho.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, durante cerimônia de posse do diretor-geral da PF, na sede da corporação, em Brasília.
Flávio Dino nega irregularidade no uso de carros oficiais
Marcelo Camargo | Agência Brasil
"Através do que fora analisado, não é cabível apontar com máxima certeza que a quantia em comento se trata de pagamento destinado a matérias jornalísticas ou recebimento ligado a assuntos desse teor. Resta através do analisado a necessidade de maiores análises das mídias disponíveis, assim como tempo hábil para aprofundamento na mesma", afirma o relatório, que está sob sigilo.
O documento diz que, até aquele momento, era possível concluir que havia "uma tendência política por parte do jornalista".

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Em julho, uma outra análise da PF apontou que o pagamento foi feito por um informante do jornalista a um terceiro e usado para quitar um imóvel do jornalista.
No mesmo mês, o delegado responsável pelo caso disse que esse pagamento colocava "sob suspeita o aspecto meramente informativo e a legitimidade do uso de um veículo supostamente de caráter jornalístico" e pediu a Moraes busca e apreensão sobre os informantes do jornalista.
Com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), Moraes determinou a busca e apreensão feita no último dia 11.
Um dos alvos foi Raimundo Cutrim, que comandava a secretaria de Assuntos Legislativos do governo do Maranhão, comandado por Carlos Brandão (MDB). Brandão é rompido com o antigo grupo político de Dino, que foi governador do estado de 2015 a 2022.
Outro alvo de busca foi o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário de Urbanismo e Habitação na Prefeitura de São Luís, que também é informante de Luís Pablo. Diogo foi responsável pelo pagamento de R$ 100 mil a um terceiro para a quitação de um imóvel do jornalista.
Luís Pablo diz que o pagamento não tem nenhuma relação com as reportagens. "Não existe relação nenhuma entre a aquisição do imóvel com as reportagens. Essa acusação é inverdade, é sem fundamento. A aquisição do imóvel foi mediante um empréstimo que o advogado fez para mim, ele é meu amigo pessoal. Eu não recebi nenhum dinheiro do advogado para publicar as reportagens", disse, em entrevista à Folha de S.Paulo na última semana.
"Estranheza"
A defesa de Cutrim tem dito que a decisão de Moraes causava "estranheza e preocupação" e nega irregularidades. A reportagem não localizou a defesa de Diogo.
A busca e apreensão do último dia 11 tinha como objetivo acessar celulares, computadores, mídias de armazenamento, documentos físicos e digitais, além de dados encontrados nos dispositivos, incluindo bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos.
Luís Pablo publica textos desde 2011 em seu blog, apresentado como "jornalismo independente que incomoda o poder".
Os motivos das ações contra ele são textos que apontavam o suposto uso de carros do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) e do governo daquele Estado por Dino.
Tanto Dino como o TJ-MA têm negado irregularidades. Eles afirmam que veículos de segurança são utilizados pelo STF, em colaboração com os tribunais, com base em normas da corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A PF concluiu que Cutrim conseguiu informações sobre o tema em sistemas de acesso restrito e as repassou para a produção dos textos.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) manifestaram "profunda preocupação" com a medida de Moraes diante de riscos à liberdade de imprensa.

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