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Rodoviários decidem manter greve a partir desta segunda-feira

Na manhã deste domingo (02), a categoria decidiu negar a nova proposta das empresas de ônibus de reajuste de 3%

Publicado em 02/12/2018 às 09h33
Assembleia dos rodoviários neste domingo em Vitória. Crédito: Caíque Verli
Assembleia dos rodoviários neste domingo em Vitória. Crédito: Caíque Verli

A greve dos rodoviários na Grande Vitória, com início para 0h desta segunda-feira (03), está mantida. Na manhã deste domingo, a categoria decidiu, em assembleia, negar a mais recente proposta das empresas de ônibus, de reajuste salarial de 3%.

Os trabalhadores querem 4% de reajuste, referente à inflação oficial, mais ganho real tanto nos salários quanto no tíquete-alimentação e plano de saúde. Eles ainda reivindicam o fim da modalidade de contratação de rodoviários em jornada de trabalho reduzida, conhecidos por "motoristas de baixa renda".

Na assembleia, o Sindicato dos Rodoviários disse que apenas 30% dos ônibus circulariam durante a greve, que é por tempo indeterminado, como ordena a lei em casos de paralisação no transporte público. No entanto, mais tarde, a Justiça expediu uma liminar, determinando que 70% dos ônibus circulem nos horários de pico e 50% nos demais horários.

O presidente do sindicato, José Carlos Salles disse que vai cumprir a liminar, mas o Sindirodoviários afirma que vai recorrer da decisão.

"A gente tem uma responsabilidade muito grande com a população, mas infelizmente tentamos conseguir algo que pudesse ser recebido bem pela categoria e não deu certo. E a única arma que o trabalhador tem para conquistar seus direitos é a greve", argumentou Salles.

De acordo com o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Lúcio Lima, que está no Estado para acompanhar o movimento, mais de 300 trabalhadores participaram da assembleia nesse domingo. Todos os presentes votaram pela manutenção da greve.

O motorista de ônibus Flávio Santos diz que será difícil pagar as contas se não tiver um aumento.

"Está difícil para todo mundo. A categoria quer um aumento para dar uma melhor condição de vida para a família, para ter possibilidade de fazer uma faculdade, estudar mais, mas não estamos sendo atendidos. Ficamos tristes, ainda mais em um cenário de tanta insegurança, tanta violência nos ônibus", desabafou.

 O Sindirodoviários já tinha publicado o edital de paralisação, mas convocou essas assembleia para analisar a proposta feita pelas empresas após a divulgação da greve. Uma nova rodada de negociação entre os rodoviários e as empresas está marcada para a tarde desta segunda-feira. O Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), por nota, lamentou a decisão de manter a greve e disse que as empresas sempre estiveram dispostas a negociar com os trabalhadores, já que o transporte público é um serviço essencial para a população, que não pode ser prejudicada. "Esperamos mais uma vez que o Sindirodoviários aja com bom senso e respeite a determinação judicial, e mais que isso, opere com 100% da frota, já que na audiência de conciliação realizada na última sexta-feira, no TRT-ES, ficou agendada uma nova rodada de negociação amanhã, às 14 horas", finalizou a nota.

 

VÍDEO MOSTRA MOMENTO DA VOTAÇÃO

ENTENDA

Durante audiência de conciliação entre rodoviários e empresas na sede do Tribunal Regional do Trabalho na tarde da última sexta-feira (30), os sindicatos patronais GVBus e Setpes ofereceram uma contraproposta de reajuste de 3% nos salários. Ao anunciar a greve, a categoria pedia 4% de reajuste mais a inflação tanto nos salários quanto no tíquete-alimentação e plano de saúde.

O representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) presente na audiência, Lúcio Lima, disse que a contraproposta é um avanço, diante dos 2% de reajuste oferecidos pelas empresas anteriormente, mas que ainda não atinge o que a categoria quer.

POLICIAIS NAS GARAGENS E NOS TERMINAIS

Mantida a greve, as portas das garagens das empresas de ônibus na Grande Vitória vão contar com reforço policial a partir da próxima segunda-feira (03), data prevista para início da paralisação dos rodoviários. De acordo com o Comandante Geral da Polícia Militar, coronel Alexandre Ramalho, as tropas especializada e preventiva estarão nas ruas, nos terminais e nas portas das garagens das empresas de transporte de passageiros para evitar piquetes, conflitos e para garantir a segurança e circulação dos ônibus e da população.

EDITAL DE GREVE

Nesta quinta, o sindicato dos rodoviários publicou um edital confirmando a paralisação de segunda. O documento, conforme determina a lei, deve ser publicado com 72 horas de antecedência à paralisação. Os rodoviários prometem cruzar os braços a partir da zero hora da próxima segunda-feira (3). No edital, é prometida, durante a paralisação, a circulação de 30% da frota dos ônibus que operam o sistema.

Edital da greve dos rodoviários publicado na edição desta quinta em A GAZETA. Crédito: Reprodução
Edital da greve dos rodoviários publicado na edição desta quinta em A GAZETA. Crédito: Reprodução

APROVAÇÃO

A aprovação pela greve ocorreu nesta terça-feira (27) após duas assembleias com os rodoviários. Eles não aceitaram a proposta dos patrões de reajuste linear de 2% nos salários, tíquete-alimentação e plano de saúde.

Os rodoviários pedem 4% de reajuste da inflação mais o ganho real. Atualmente, o salário dos motoristas é de R$ 2.228 e do cobrador é de R$ 1.150, o tíquete é de R$ 696. “Já tivemos cinco reuniões e nada foi resolvido, a classe está insatisfeita”, afirma o presidente do Sindirodoviários.

Se ocorrer, a paralisação vai afetar tanto os ônibus do Sistema Transcol quanto os municipais de Vitória e Vila Velha. Atualmente, cerca de 700 mil pessoas utilizam o transporte público todos os dias.

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