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"Quando a vacina chega ao posto, ela é segura", afirma médica

Em alerta a movimento antivacina, médica da Fiocruz destaca que doses passam por uma série de testes e estudos antes de ser liberadas

Publicado em 16/07/2018 às 20h54
Profissionais manipulam material para produção de vacina: proteção e cuidado para evitar contaminações. Crédito: Ilicciev/Bio-Manguinhos/Fiocruz
Profissionais manipulam material para produção de vacina: proteção e cuidado para evitar contaminações. Crédito: Ilicciev/Bio-Manguinhos/Fiocruz

Diante da baixa cobertura vacinal no Espírito Santo para doenças como paralisia infantil (80,61%) e sarampo (86,18%), quando o determinado é imunizar no mínimo 95% das crianças com um ano de idade, identificou-se que há pessoas que resistem à vacina por acreditar que podem provocar outros males. Mas isso é um grande equívoco, conforme garante a médica Eliane Santos, da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos/Fiocruz, unidade do Ministério da Saúde responsável pelo desenvolvimento tecnológico e produção de vacinas. Confira entrevista com a médica.

Algumas famílias não levam as crianças para vacinar por medo. Existe razão para isso?

Não, as vacinas são seguras. Elas são registradas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após muito estudo e vários ensaios clínicos.

E como são feitos?

Os testes começam com animais, que são os estudos pré-clínicos. Depois, são feitos estudos clínicos em humanos. Geralmente, passam por três fases e, à medida que vai avançando, mais pessoas são incluídas no estudo. Nas primeiras que tomam a vacina o que se avalia é a segurança. Depois, nas fases dois e três, além de continuar verificando a segurança, verificamos também a resposta imune do indivíduo. Baseado nisso tudo, conseguimos o registro da vacina na Anvisa. Então, quando chega ao posto de saúde, a vacina já passou por vários estudos e temos a garantia de que é um produto seguro e eficaz nas faixas etárias indicadas.

Quanto tempo para passar por essas etapas?

Em média, de 5 a 15 anos. É muito tempo de estudo.

O que leva as pessoas a desconfiar das vacinas? Faltam campanhas de conscientização?

Acredito que é desconhecimento, muito pelo fato de algumas doenças terem desaparecido graças ao sucesso do Programa Nacional de Imunizações. Não se vê mais algumas doenças circulando e as pessoas acabam relaxando sobre a necessidade de se vacinar, acham que não vão pegar mais. Mas, para que não voltem a aparecer, precisamos ter um percentual de cobertura vacinal amplo. Também acredito que as fake news (notícias falsas) pelas mídias sociais têm contribuído para o medo de algumas pessoas.

No ano passado, houve surto de febre amarela, doença há muito tempo fora de área urbana. Não deveria ter servido de alerta para a importância da vacinação e da realização de campanhas?

A febre amarela foi mesmo um exemplo. Começaram a aparecer casos e as pessoas ficaram apavoradas pela alta letalidade. Entre as que contraíram a doença e desenvolveram a forma grave, havia um alto percentual de óbito. Por causa disso, formaram-se filas e filas nos postos de saúde, e a população com medo de ficar sem vacina. Para evitar que isso aconteça, com essa e outras doenças, o mais correto é manter o calendário de vacinação em dia.

Há um movimento antivacina e, entre os adeptos, a ideia de que a vacina com vírus pode ser tóxica ao organismo ao longo do tempo. Existe sentido nisso?

Não. Depois da fase de estudos, quando vão para registro e chegam ao posto, são vacinas seguras. As que têm vírus atenuado possuem algumas contraindicações como, por exemplo, para pessoas com imunidade baixa, gestantes ou aquelas que estão usando medicamentos que comprometem a imunidade. Mas, mesmo para elas, é preciso avaliar individualmente o risco-benefício, sobretudo se estiver havendo o surto de alguma doença. Mas posso assegurar que as vacinas são seguras, sejam elas com vírus vivos, atenuados ou inativadas. Não existe risco de intoxicação. O movimento antivacina no Brasil ainda é pequeno, se comparado aos Estados Unidos e Europa, mas tem crescido.

A alta cobertura vacinal é importante também por ajudar a proteger aqueles que, eventualmente, não puderem se vacinar?

Sim, é o que a gente chama de imunidade coletiva, de rebanho. Para o caso do sarampo, por exemplo, que tem alta infectividade, tem que ser maior que 95%. Nessa doença, basta uma pessoa infectada para infectar quem estiver ao redor. Se a cobertura cai em determinada comunidade, uma pessoa com sarampo pode disseminar aquele vírus rapidamente.

Qual a sua recomendação para quem está deixando de vacinar?

É importante que procurem os postos, se a caderneta de vacinação não estiver em dia. Se tiver dúvidas sobre as doses tomadas, vá também. É preciso manter atualizada. As vacinas que estão no SUS, nos postos, são seguras.

E as campanhas de conscientização, é preciso voltar a fazer como antigamente para alertar as pessoas?

As campanhas são importantes. A vigilância sanitária acompanha os casos que vão sendo notificados e, quando há necessidade, são divulgadas as campanhas. Para o início de agosto já tem uma prevista para paralisia infantil e sarampo (tríplice viral, que inclui também imunização contra rubéola e caxumba.

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