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"Cansei de tanto descaso e roubo", desabafa comerciante de Vitória

Para não demitir funcionárias, comerciante insiste em manter sua lanchonete aberta

Publicado em 03/06/2019 às 08h07
Orlando Busatto. Crédito: Bernardo Coutinho
Orlando Busatto. Crédito: Bernardo Coutinho

Com um prejuízo calculado em mais de R$ 50 mil após sofrer assaltos e arrombamentos, o comerciante Orlando Busatto, 69 anos, chegou a desistir de trabalhar na lanchonete administrada por ele há cerca de seis anos na Avenida Princesa Isabel, no Centro de Vitória.

“Cansei de tanto descaso, tanto roubo e tanto prejuízo com assalto e arrombamento. Só no mês de maio, perdi mais de R$ 40 mil em mercadorias e material de trabalho. Até hoje a gente não faz misto quente porque roubaram a chapa. Não tive dinheiro para comprar outra. Fiquei desestimulado de trabalhar”, desabafou.

Alvo de arrombamento nos dias 6 e 13 de maio deste ano, o estabelecimento ficou fechado por uma semana. “Eu trabalho com minha esposa e outras duas funcionárias. Só não desisti e fechei as portas de vez por causa das duas funcionárias. Eu também preciso trabalhar, mas principalmente não tive coragem de demiti-las. Estamos insistindo juntos”, disse.

Na madrugada do último dia 13, os ladrões invadiram o local pelo telhado e fugiram levando cinco botijas de gás, três ventiladores de parede, uma máquina de moer carne de 80kg, mais de 40 kg de comida, televisão, micro-ondas, além de panelas, utensílios de cozinha e boa parte do estoque de mercadorias.

Orlando ressalta que, para continuar com o negócio, contou com o apoio da filha e de amigos. “Minha filha comprou algumas coisas e eu usei o cartão de crédito para comprar outras e, assim, voltar a funcionar. Mas eu só voltei porque trabalho com minha esposa e outras duas funcionárias. Alguns amigos fizeram até vaquinha para me ajudar a comprar as coisas de volta. Mas eu já disse que não vou querer. Agora em junho vamos ver o que foi arrecadado e já disse que vou doar tudo para um asilo”, afirmou Orlando.

ANÁLISE

É PRECISO TER FOCO

“O Espírito Santo estava numa situação muito crítica em relação a homicídio. Isso obrigou o Estado a dar foco e foi feito um trabalho que vem permitindo a redução sistemática desse crime. Percebo que já estão criadas as condições para que seja iniciado novo trabalho para reduzir também crimes contra o patrimônio. O importante é sempre ter um foco. Em segurança pública, os problemas não são resolvidos de uma vez. Mas, se fizer algo semelhante ao empregado nos homicídios, também haverá redução. A maioria dos crimes contra o patrimônio não chega a ser investigada."

Henrique Herkenhoff, Professor de Mestrado em Segurança Pública

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