ASSINE
Imagem geral da Mata da Praia, em Vitória
Imagem geral da Mata da Praia, em Vitória. Crédito: Vitor Jubini

Empresários e moradores de bairros nobres do ES recebem Bolsa Família

MPF descobriu que até agentes municipais fazem cadastros ilegais para embolsar parte dos valores de falsos beneficiários

Publicado em 02/11/2019 às 17h07

Em uma das parábolas bíblicas, Jesus conta a história de um homem que semeou trigo e, depois, um inimigo plantou joio. O agricultor, então, deixou ambos crescerem e ordenou a separação ao final da colheita.

Nos dias de hoje também é preciso afastar o joio do trigo, mas sem esperar o “fim da colheita”. No campo dos benefícios sociais, os “bons frutos” e as “ervas daninhas” devem ser logo apartados para proteger quem realmente precisa.

Apurações do Ministério Público Federal (MPF) tentam segregar os beneficiários com real direito dos fraudadores. Investigações apontam para empresários, servidores públicos, doadores de campanhas eleitorais e moradores de bairros nobres “vivendo” do Bolsa Família. Há até gente “extremamente pobre” morando na Mata da Praia, bairro de luxo de Vitória.

Sem detalhar os casos para não atrapalhar as apurações, o procurador da República Alexandre Senra diz:

Alexandre Senra

Procurador da República

"Ainda não foi feita averiguação caso a caso. Mas os dados espelham o retrato fiel dos benefícios indevidos nessas classes"

O programa é gerenciado pelo governo federal, que faz os pagamentos. Os Estados treinam as equipes. Os municípios cuidam dos cadastros, etapa principal das irregularidades.

Alexandre Senra

Procurador da República

"Existem agentes municipais que embolsam parte do dinheiro do cadastrado. Há também quem apresenta documentos falsos para receber o benefício"

Uma busca em processos na Justiça Federal do Espírito Santo revela ações contra servidores públicos e pessoas que apresentaram informações e documentos falsos para burlar o sistema.

Há dificuldades para punir os fraudadores por falta de provas, porque os casos são de baixo valor ou pois os crimes acabam prescritos antes de serem julgados.

Em uma das ações penais, uma trabalhadora rural de Pinheiros, Norte do Estado, recebeu o benefício regularmente entre 2006 e 2010, mas entre 2010 e 2014 ela omitiu, intencionalmente, o pagamento que ganhava de um sindicato de trabalhadores rurais. Ela foi condenada a 1 ano e 4 meses de prisão, e o pagamento de R$ 8.837 a título de reparação dos danos causados. A prisão foi substituída pela prestação de serviços comunitários.

A Gazeta integra o

Saiba mais
bolsa família

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.