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O casal Irani José de Lima Vermelles, 54, e Admilson Vermelles, 50, está há quase um ano sobrevivendo com os  R$ 272 do Bolsa Família
O casal Irani José de Lima Vermelles, 54, e Admilson Vermelles, 50, está há quase um ano sobrevivendo com os R$ 272 do Bolsa Família. Crédito: Fernando Madeira

Economia de cidades pobres do ES depende do Bolsa Família

Em 34 municípios, 15% da população vive com o auxílio. Segundo prefeituras, recursos do programa mantêm comércio ativo no interior do Estado

Publicado em 03/11/2019 às 10h53

Um município sem grandes indústrias com um comércio enfraquecido e uma área rural que sofre com as sazonalidades. Essa descrição, na verdade, não atende a somente um município, mas a uma série de cidades que dependem do Bolsa Família e de outros benefícios sociais para fazer a economia municipal girar.

Em 34 municípios capixabas, mais de 15% dos moradores recebem o Bolsa Família. A localidade que mais depende desse recurso é Água Doce do Norte, Noroeste do Estado. Na cidade, de acordo com dados do Ministério da Cidadania, 33,9% da população são beneficiários.

“Depois do Bolsa Família o poder de compra da população melhorou muito. Nosso município é carente e as pessoas sobrevivem da agricultura, do trabalho no campo. As pessoas não têm uma renda fixa”, diz a gestora do Bolsa Família em Água Doce do Norte, Rosângela Aparecida Moreira Fernandes.

“Antes as pessoas compravam e só podiam pagar na outra safra. Então, nesse período, praticamente não existia comércio na cidade”, acrescenta a gestora.

Uma das pessoas que recebe o benefício em Água Doce do Norte é a dona de casa Clemilda da Mota, 39, que já faz parte do Bolsa Família há 10 anos. “Aqui ninguém tem emprego, ninguém consegue trabalhar. No meio do ano meu marido foi para São Domingos do Norte (distante cerca de 100 quilômetros) trabalhar na ‘panha’ do café, mas teve que voltar para ajudar meu sogro que teve um problema na coluna”, lembra.

“O meu marido faz uns bicos em uma ou outra plantação, quando dá, e a gente compra comida. Já o dinheiro do Bolsa Família a gente usa para pagar conta de água e de energia”, diz Clemilda que mora com o marido e com os filhos de 20 e 17 anos.

Outro município que reconhece a importância financeira do Bolsa Família para a economia local é Montanha, no Noroeste capixaba. Lá 25,59% dos moradores são beneficiados pelo programa, de acordo com o Ministério da Cidadania.

“Nosso município é muito carente. Temos em torno de 36% da população na pobreza ou na extrema pobreza. Então, com essa conjuntura, um programa social como o Bolsa Família faz toda a diferença. Não só esse programa, como outros também”, comenta o secretário de Assistência Social de Montanha, Odair Selim.

“Para se ter uma ideia, o que entra no município de Bolsa Família, BPC (Benefício de Prestação Continuada) para idoso e deficiente, e as aposentadorias rurais representam em torno de quatro vezes mais que uma das nossas principais fontes de receita, que é o FPM (Fundo de Participação dos Municípios), pago pelo governo federal. Esses programas sociais jogam aqui, no ano, R$ 52 milhões. Para um município pequeno como o nosso, faz toda a diferença”, acrescenta.

"É PRECISO GERAR EMPREGO NO INTERIOR"

A dependência dos municípios capixabas mais pobres ao Bolsa Família só irá reduzir com a descentralização econômica e com a criação de novos postos de trabalho nessas cidades, segundo o economista Mário Vasconcellos.

O casal Irani José de Lima Vermelles, 54, e Admilson Vermelles, 50, está há quase um ano sobrevivendo com os R$ 272 do Bolsa Família. Sem trabalho ou aposentadoria, esta é, praticamente, a única fonte de renda dos dois.

“Emprego aqui é muito difícil. Não tem indústria. Tem loja, mas emprega pouca gente. Nas fazendas é só gado de leite, ninguém mexe mais com lavoura, então o Bolsa família ajuda demais. E recebemos uma ajudinha do nosso filho mais velho”, conta Admilson, morador de Mucurici, Noroeste do Estado.

A falta de empregos não é exclusividade de Mucurici. VasconcellosA explica que a lenta retomada da economia tem prejudicado a criação de vagas em todo o Estado. “A recuperação do mercado de trabalho está demorando. Acredito que a partir do ano que vem haverá aceleração. A reforma da Previdência foi aprovada, outras reformas ainda virão, o que nos dá certo otimismo”, comenta.

A situação de Irani e Admilson, por outro lado, não deve mudar tanto, avalia Vasconcellos. “Com relação ao interior, é muito mais complicado. Não se tem grande geração de emprego. É preciso que o governo atente para políticas públicas.”

É preciso fortalecer a interiorização do desenvolvimento - criar condições para que as pessoas possam abrir pequenos negócios. É incentivar isso para fomentar investimentos e o empreendedorismo”, conclui.

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