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Dom, 23 de Janeiro de 2022

Com velas rotativas, navio inovador da Vale chega ao Porto de Tubarão

Gigante do mar que integrará frota a serviço da Vale tem capacidade de 325 mil toneladas e permite de redução de emissão de CO2.  Caso o projeto-piloto mostre-se eficiente, pelo menos 40% das embarcações da mineradora poderão usar a tecnologia

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 28/07/2021 às 02h01
São cinco velas instaladas ao longo da embarcação que permitirão um ganho de eficiência de até 8% e uma consequente redução de até 3,4 mil toneladas de CO2 equivalente por navio por ano.
Sea Zhoushan é o primeiro navio mineraleiro de grande porte do mundo equipado com sistema de velas rotativas que reduz emissão CO2. Crédito: Divulgação/Vale

O primeiro navio Guaibamax equipado com o sistema de velas rotativas (rotor sails) a serviço da Vale atracou no Porto de Tubarão, em Vitória, na noite desta terça-feira (27). O Sea Zhoushan, que saiu da China há algumas semanas, é um Guaibamax da categoria VLOC (Very Large Ore Carrier) com capacidade de transporte de 325 mil toneladas de minério de ferro e pelotas.

É o primeiro mineraleiro de grande porte do mundo equipado com esse sistema: são cinco velas rotativas instaladas ao longo da embarcação. Essas estruturas, que são rotores cilíndricos, têm quatro metros de diâmetro e 24 metros de altura, e, durante operação, giram em diferentes velocidades, dependendo de condições ambientais e operacionais, para criar uma diferença de pressão e impulsionar o navio para a frente.

Segundo a mineradora, esses mecanismos permitirão um ganho de eficiência de até 8% com a operação e uma consequente redução de emissão de até 3,4 mil toneladas de CO2 equivalente por ano.

Essa será a primeira operação do navio, que em breve retornará ao território chinês carregado de minério. Por enquanto, trata-se de um projeto-piloto.

No entanto, a Vale estima que caso a tecnologia se mostre eficiente, pelo menos 40% da frota estaria apta a usar esse tipo de vela, o que impactaria em uma redução de quase 1,5% das emissões anuais do transporte marítimo de minério de ferro da companhia.

3,4 mil toneladas

DE CO2 DEIXARÃO DE SER EMITIDOS POR ANO

Conforme explicou o gerente-executivo de Navegação da Vale, Guilherme Brega, a operação faz parte do programa Ecoshipping, criado para atender às metas da empresa de reduzir suas emissões de carbono.

Em 2020, a companhia anunciou um investimento de aproximadamente R$ 6 bilhões para reduzir em 33% suas emissões de carbono diretas e indiretas, denominadas escopos 1 e 2, até 2030. Anunciou ainda que irá reduzir em 15% as emissões de escopo 3 até 2035, relativas à cadeia de valor, das quais as emissões de navegação fazem parte, já que os navios não são próprios. 

“A iniciativa está nos trazendo muitas surpresas positivas. A chegada desse navio, o primeiro carregamento dele, é um marco muito importante para a Vale, para a navegação. E é interessante trazê-lo primeiro para o Porto de Tubarão, porque é um porto que tem caráter de inovação, que foi projetado para receber grandes navios.”

Guilherme Brega

Gerente-executivo de Navegação da Vale

"As velas se dobram e praticamente deitam no convés, reduzindo o uso de combustível e as emissões. Mas não só isso: no momento que reduz o consumo, viabiliza a utilização de combustíveis alternativos. Acaba sendo um enabler de outras tecnologias"

Brega observou que, há alguns anos, a companhia introduziu no mercado os navios chamados Valemax, que são mineraleiros de grande porte, com capacidade de transporte de até 400 mil toneladas. Paralelamente, também trabalha com os do tipo Guaibamax, que têm capacidade de 325 mil toneladas. É em um navio deste modelo que foram instaladas as velas giratórias.

O gerente-executivo de Navegação da Vale pontuou que embora o modelo Valemax seja extremamente eficaz, com a evolução da economia de baixo carbono na navegação, a eficiência desses navios não é suficiente, hoje, para que a companhia atinja suas metas de redução de carbono.

“Temos que ir além, e há três anos nós começamos um projeto de inovação e pesquisa chamado Ecoshippping. E qual era o escopo dele? Justamente pesquisar, testar e implantar. Essa tecnologia [de velas rotativas] é parte da materialização desse projeto. É o primeiro, mas não último avanço.”

Guilherme Brega

Gerente-executivo de Navegação da Vale

"É o maior navio do mundo a utilizar esse tipo de tecnologia, o que reafirma o compromisso da Vale com a mineração de baixo carbono. Mas também tem um efeito demonstrativo muito grande para a indústria de mostrar a viabilidade e maturidade dessa tecnologia. Muitos imaginavam que esse tipo de inovação em um navio desse porte ainda estava muitos anos à frente. Como dizem os engenheiros da área, é a reconciliação da energia eólica com a navegação"

O estaleiro chinês New Times Shipbuilding foi quem construiu o navio já adaptado para receber as velas, fabricadas pelo finlandês Norsepower. O tempo entre projeto detalhado até a fabricação e instalação do equipamento foi de um ano. Além dos testes em laboratório e análises numéricas, os engenheiros estudaram a incidência de ventos na rota Brasil-China.

"Percebemos que temos uma vantagem competitiva em relação aos nossos concorrentes: a rota Brasil-Ásia tem, em média, ventos mais favoráveis que a da Austrália-Ásia", explicou Guilherme Brega.

Ainda segundo o gerente-executivo de Navegação da Vale, a embarcação foi projetada para atracar em qualquer porto. Inclusive, ao longo do projeto, foram realizadas modelagens 3D das áreas de carregamento operadas pela Vale para analisar a atracação do navio.

“Não há nenhuma interferência das velas no carregamento, já que elas ficam reclinadas durante a atracação. Tubarão foi escolhido para ser o primeiro pois as equipes de engenharia náutica, inspetoria e operação locais tiveram papel fundamental durante todo o processo de testes e estão colaborando agora com ajustes finos no sistema."

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Porto de Tubarão tem escoamento de minério que é enviado para outros países, como a China. Crédito: Vale/Divulgação

OUTRAS TECNOLOGIAS

Guilherme Brega destacou ainda que a mineradora deverá receber, no mês de agosto, o primeiro navio Guiabamax com "air lubrication" instalado. A tecnologia cria uma espécie de carpete de bolhas de ar na parte de baixo do navio, permitindo reduzir o atrito da água com o casco.

A estimativa é de que, com isso, a companhia consiga reduzir em torno de 5% a 8% do combustível utilizado, com potencial de redução de 4,4% das emissões anuais do transporte marítimo de minério de ferro.

“É uma tecnologia extremamente inovadora. Mas um ponto interessante sobre essas tecnologias que podem contribuir para a redução de emissões é que boa parte desses navios de grande porte não só são muito eficientes, como já são projetados para trabalhar com combustíveis alternativos.”

Ele explicou que dezenas de navios já em operação foram projetados para futura instalação de sistema de gás natural liquefeito (GNL), incluindo um compartimento sob o convés para receber um tanque com capacidade para toda a viagem.

Mas destacou que, por meio do programa Ecoshipping, a companhia está desenvolvendo um projeto de engenharia a fim de transformar esse tanque um espaço multi-combustível, capaz de armazenar e consumir, no futuro, não só GNL, como metanol e amônia. Essas transformações poderão trazer uma redução de até 80% de emissões de carbono oriundas da navegação.

"A grande questão hoje é: o que eu posso fazer em relação aos navios existentes para aumentar a eficiência deles, para reduzir as emissões? Eu tenho que continuar olhando para a meta de 2050, de 50% de redução de emissões absolutas. Mas começar a pensar no navio do futuro. Isto é, o objetivo é não apenas conseguir reduzir a emissão atual, mas, paralelamente, realizar estudos olhando o que vai acontecer com a indústria daqui a 30 anos. A introdução desses navios já foi um passo gigantesco, e acho que estamos novamente na vanguarda e mostrando para as indústrias o caminho."

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