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"Temos esperança de ajudar de alguma forma", diz formanda de Medicina

Isadora Santiago Carvalhais teve formatura antecipada, e ressalta que esse é o sentimento da turma que ingressa no mercado mais cedo devido à pandemia do novo coronavírus

Publicado em 27/04/2020 às 11h23
Atualizado em 27/04/2020 às 16h05
Isadora Santiago Carvalhais antecipou a formatura para poder atuar na crise da saúde provocada pelo novo coronavírus
Isadora Santiago Carvalhais antecipou a formatura para poder atuar na crise da saúde provocada pelo novo coronavírus. Crédito: Acervo pessoal

O sonho de se mudar para o Rio de Janeiro, onde iria iniciar os preparativos para ingressar na residência em Pediatria, foi adiado. Agora, os planos de Isadora Santiago Carvalhais, 25 anos, e também o de sua turma de Medicina, são outros. Os universitários anteciparam a formatura do curso para poder ingressar mais cedo no mercado e ajudar no enfrentamento à crise na saúde provocada pelo novo coronavírus (Covid-19)

"A sala inteira se mobilizou para antecipar a formatura. Temos a esperança de poder ajudar de alguma forma", ressalta a jovem, que faz o curso na UVV.

Isadora reconhece que o momento é de apreensão, sentimento natural de quem está se formando, mas há outro componente que move a turma para começar logo a trabalhar.

"É muito assustador. Tem a insegurança de recém-formado, tem o medo de adoecer porque muitos profissionais de saúde estão ficando doentes. Também nos sentimos um pouco perdidos pelo fato de que tudo o que havia sido planejado ficou de lado. Mas, ao mesmo tempo, é muito gratificante saber que podemos ser úteis neste momento. Foi para isso que estudamos nos últimos seis anos."

A formanda conta que, no início do curso, todo estudante de Medicina tem a convicção de que vai poder salvar o mundo. Ao longo da graduação, percebem que essa sensação pode sugerir prepotência, até porque descobrem que, em muitas situações, não terão a solução para o problema. "Mas agora, diante de tudo o que estamos vivenciando, voltou um pouco esse sentimento de que, sim, podemos ajudar de alguma maneira e queremos fazer isso", pontua.

Isadora diz que, pela falta de experiência, sabe que os recém-formados não estarão dentro das UTIs de pacientes com a Covid-19, mas poderão dar o suporte necessário em unidades de saúde, promovendo a atenção básica. Muitos de seus colegas já passaram em processos seletivos no Estado, e ela mesma vai atuar em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Governador Valadares, sua cidade natal em Minas Gerais. 

Prestes a concluir a graduação, Isadora ressalta que a UVV ainda promoveu um curso online, com orientações para que os formandos possam ajudar no atendimento a pacientes com Covid-19. 

A cerimônia de colação de grau virtual foi realizada na última sexta-feira (24) para os 60 alunos do curso de medicina que solicitaram a antecipação da formatura, conforme previsto na portaria 383/2020, do Ministério da Saúde.

"O evento online atende todos os ritos acadêmicos. Cada aluno, individualmente, agendará no setor responsável a retirada do documento original em formato físico. A UVV recebeu requerimento de antecipação de 60 alunos e, somente após avaliar as condições acadêmicas de cada pedido, foi possível marcar a cerimônia, a fim de que não houvesse nenhum prejuízo acadêmico aos formandos", informou a instituição, por nota. 

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