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Vera Fischer torce para que filme polêmico de Xuxa volte aos cinemas

A atriz, conhecida por filmes como "A Super Fêmea" e "Amor, Estranho, Amor" é a grande homenageada do 26º Festival de Cinema de Vitória

Publicado em 26/09/2019 às 12h38
Atualizado em 26/09/2019 às 16h09
Coletiva de Imprensa do 26º Festival de Cinema de Vitória, no Hotel Senac Ilha do Boi. Vera Fischer foi a homenageada da edição e recebeu o caderno especial em sua homenagem. Crédito: Claudio Postay
Coletiva de Imprensa do 26º Festival de Cinema de Vitória, no Hotel Senac Ilha do Boi. Vera Fischer foi a homenageada da edição e recebeu o caderno especial em sua homenagem. Crédito: Claudio Postay

Ícone da beleza, musa da pornochanchada, mulher de personalidade forte, que sempre diz o que pensa na hora e como quer. Não há características capazes de definir a complexidade que é ser Vera Fischer.

Prestes a comemorar 68 anos, em exuberante forma física e com pernas torneadas capazes de fazer inveja a muitas adolescentes, Vera veio ao Espírito Santo receber uma homenagem do 26º Festival de Cinema de Vitória por sua contribuição ao audiovisual. Além da homenagem, a atriz recebeu um caderno especial que relembra a sua carreira, que teve reportagem de Jace Theodoro.

Papéis no cinema foram muitos e marcantes. Desde a diva cobiçada por vários homens, em "A Super Fêmea" (1973), de Anibal Massaini Neto, sua primeira experiência como atriz em uma grande produção, passando pela prostituta Neusa Suely, no clássico "Navalha na Carne" (1997), brilhante adaptação de Neville de Almeida para o texto de Plínio Marcos, Vera lembra com carinho de seu papel em "Amor Estranho Amor" (1982), de Walter Hugo Khouri.

Pelo filme, Vera venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília. O longa, porém, ficou conhecido por Xuxa Meneghel ter entrado na justiça impedindo a sua circulação. Na obra, a ex-Rainha dos Baixinhos aparece se oferecendo a um garoto de 12 anos.

"Nunca aprovei essa atitude da Xuxa. Walter Hugo Khouri fez um filme lindo, sobre a descoberta da sexualidade. Ele era um diretor único, que sabia filmar cenas sensuais com muita delicadeza", relembra, comemorando o fim do embargo que censurou o longa por 18 anos. Vera atendeu a imprensa na tarde de quinta (26), no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória.

Vera Fischer, atriz

A memória de Walter Hugo Khouri (que morreu em 2003) precisa ser preservada. Torço para que o filme volte aos cinemas e que vá para as plataformas de streaming. O público mais jovem precisa ter essa experiência. A censura pelo qual o longa passou foi sem precedentes. Sou uma artista, amo e arte e a liberdade que ela pode nos trazer

DIVA

Sempre bem-humorada, a atriz explica o motivo de ter ficado 17 anos afastada dos cinemas. Sua última aparição foi em "Xuxa e os Duendes 2: No Caminho das Fadas" (2002), vivendo uma rainha. "Xuxa não me reconheceu nos bastidores. Acho que é porque estava de maquiagem", ironiza.

"O cinema brasileiro parou de produzir filmes para mulheres, com dilemas existenciais voltados para o público feminino. Veio uma safra boa, mas com o foco na violência urbana. Não me vejo em 'Tropa de Elite', por exemplo", alfineta Vera, dizendo que a hostilização que o atual governo federal está fazendo com a classe artística a assusta.

"O governo tem ódio da arte e do censo crítico que ela pode trazer à população, por isso quer nos calar. Me sinto como se fosse um demônio, preparado para ser exorcizado. Quero voltar a fazer filmes, mas vejo que preciso andar com um pires na mão, pedindo dinheiro. Não vão tirar a nossa dignidade", esbraveja.

Coletiva de Imprensa do 26º Festival de Cinema de Vitória, no Hotel Senac Ilha do Boi. Vera Fischer foi a homenageada da edição e recebeu o caderno especial em sua homenagem. Crédito: Levi Mori
Coletiva de Imprensa do 26º Festival de Cinema de Vitória, no Hotel Senac Ilha do Boi. Vera Fischer foi a homenageada da edição e recebeu o caderno especial em sua homenagem. Crédito: Levi Mori

Na temporada que completa 50 anos de sua eleição a Miss Brasil, Vera ainda lembra com carinho do ano da coroação: "Ser miss foi uma experiência que me deu liberdade para ser mulher e sair de casa, com 17 anos, em Blumenau/SC".

Agora, Vera Fischer prepara a volta aos cinemas em grande estilo. No primeiro semestre de 2019, começa a filmar o drama familiar "Quase Alguém", de Daniel Ghivelder. "Vou viver uma mulher que conheceu a fama e agora precisa recomeçar emocionalmente, em uma relação conturbada com a filha. Será mais um desafio em quase 50 anos de carreira", comemora.

 

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