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Responsabilidade fiscal é mais justiça social

Dez mil pessoas no Estado tiveram que encarar as ruas para garantir o sustento nos últimos quatro anos

Publicado em 12/06/2018 às 21h30

Não se pode correr o risco de tratar as estatísticas do avanço descomunal da informalidade nos últimos quatro anos no Estado como meros números. São dez mil pessoas que nesse período passaram a tirar o seu sustento das ruas, sem vínculos empregatícios, direitos trabalhistas ou contribuição previdenciária. Em todo o país, 200 mil trabalhadores engrossaram o exército dos ambulantes.

São indicadores que devem ser sempre humanizados, um crescimento que precisa ser encarado com seriedade por gestores públicos, pois é a concretização de como os erros na condução econômica podem arruinar projetos pessoais que, num conjunto mais amplo, são o projeto do próprio país. Um aspecto não se dissocia do outro.

Não há indignidade no trabalho informal, mas é lamentável que seja a única opção para 27 mil pessoas em todo o território capixaba.

É questão de sobrevivência. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio Contínua (Pnad-C) do IBGE comparam os anos de 2013, anterior à crise, e 2017. Há cinco anos, em média, 16,1 mil pessoas trabalhavam como vendedores nas ruas ou nos coletivos no Estado. No ano passado, o número chegou aos 27 mil, um acréscimo de 68,7% no período.

É a recolocação de mercado viável, com impactos sociais que podem ser duradouros. Políticas de geração de emprego exigem investimentos, algo escasso em um país que ainda se encontra incapaz de retomar a confiança. Os números fazem lembrar que a recuperação vem sendo lenta e inábil. O que sobra é só pessimismo.

Mesmo que não ocorra da noite para o dia, é urgente uma reação concreta, algo que só deve se viabilizar com um novo ocupante do Planalto. O que dimensiona a relevância das eleições de outubro. Nunca se precisou tanto de candidatos que compreendam, em suas políticas econômicas, que mais racionalidade fiscal é necessariamente mais justiça social.

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