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Compromisso de US$ 300 milhões com a Delta Airlines deixa Gol sob pressão

Empresa tem menos de 15 dias para saldar a dívida com a companhia americana de aviação, que já foi sua sócia; aérea aguarda socorro de R$ 1,2 bi do BNDES

Publicado em 22/08/2020 às 12h25
Atualizado em 22/08/2020 às 12h25
Avião da Gol no Aeroporto de Vitória
Avião da Gol no Aeroporto de Vitória. Agências de classificação de risco veem risco de calote da Gol em compromisso com a Delta Airlines. Crédito: Vitor Jubini

O cerco está se fechando para a companhia aérea Gol, que está a menos de 15 dias de honrar um compromisso de US$ 300 milhões com a Delta Airlines. Com o caixa cada vez mais apertado, sem o dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com os bancos privados fechando a torneira do crédito, as agências de risco Fitch e S&P já passaram o recado: a empresa precisará reestruturar seu passivo.

A classificação de risco da Gol foi para o patamar CCC, que aponta maior risco de calote. Isso não implica, entretanto, que um pedido de recuperação judicial seja iminente.

Esse caminho não é o mais óbvio, de acordo com especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, já que a lei brasileira de falências e recuperação judicial não permite que negociações com os credores mais relevantes - como as empresas que arrendam aeronaves e os bancos - ocorram sob a proteção judicial. Mas esse pode ser um desfecho, a partir da observação da experiência da rival Latam, que buscou proteção na Justiça norte-americana, onde a legislação é mais abrangente e ágil.

Por enquanto, a Gol mantém conversas com bancos parceiros sobre mecanismos de liquidez, o que inclui reescalonamento de obrigações, de acordo com o presidente da companhia, Paulo Kakinoff. Na apresentação da companhia balanço para o segundo trimestre, Kakinoff sinalizou que a possibilidade de emissão de debêntures, com apoio do BNDES, está para ser avaliada pelo conselho de administração.

Do outro lado, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmou nesta semana que aguarda a requisição pelas companhias aéreas dos empréstimos. O valor deve ficar em torno de R$ 1,2 bilhão para cada uma das empresas, dentro do prometido pacote de apoio.

A Gol encerrou com uma liquidez de R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, queda de 9,8% na comparação anual. A aérea espera fechar o terceiro trimestre deste ano com uma liquidez de R$ 2,9 bilhões. O valor já considera a amortização com a Delta.

PRESERVAÇÃO DE CAIXA

A empresa se esforçou para reduzir ao máximo o consumo de caixa com um acordo com aeronautas e aeroviários para cortar salários, assim como negociação com as proprietárias das aeronaves que utiliza. O problema é que a Gol precisará ter recursos para a retomada em um momento que a empresa está com mais dificuldade de levantar dinheiro. O cenário leva alguns agentes do mercado a acreditar que o "dia D" da companhia está próximo.

"Como a Gol vinha numa boa posição de caixa, deve deixar uma opção mais arrojada, de recuperação judicial, para o último minuto, inclusive para ver o que acontece com a Latam", disse uma advogada do setor que preferiu não se identificar.

Para ela, a melhor alternativa no caso de uma recuperação judicial seria a corte norte-americana, mas a companhia aérea teria de combinar o jogo com os credores - em especial os bancos - para evitar processos judiciais que podem lhe causar dor de cabeça mais à frente.

A pandemia fez a aérea reduzir de 800 para 50 o número de decolagens por dia em abril, ápice da crise. A Gol espera operar 250 voos por dia em agosto, contra 200 em julho e 100 em junho. Para setembro, a estimativa é elevar o número de voos diários para 300.

Procurada, a Gol disse que tem a opção de amortizar, integralmente, o empréstimo com a Delta em setembro. "Ou, eventualmente, fazer um aditivo para prorrogação, para o qual precisaremos do apoio da Delta", explicou a companhia, sem dar mais detalhes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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