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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Hércules quer desafiar Max Filho na luta para ser prefeito

Depois de bater na trave em 2008, ser rifado pelo MDB em 2012 e desistir na hora H em 2016, deputado está determinado a realizar seu sonho de enfim chegar à prefeitura. Para isso, articula uma união de forças, contra Max, envolvendo Neucimar Fraga, Rafael Favatto, Danilo Bahiense e outros

Publicado em 19/10/2019 às 06h00
Atualizado em 19/10/2019 às 06h00
Autodeclarado um
Autodeclarado um "canário pregueiro", Hércules quer lutar contra o tucano Max Filho nas urnas em 2020. Crédito: Amarildo

Hercule Poirot, o mais célebre detetive de Agatha Christie, é belga. Belga como o famoso canário. Já o Hércules capixaba, o Silveira, é canário de outra espécie. E não é preciso detetive para desvendar seus planos para 2020: “Sou um político pregueiro. Canário pregueiro é o que só briga no prego dele”, ensina o médico e deputado estadual, determinado a entrar desta vez, sem chance de recuo, na briga doméstica em seu prego, pela Prefeitura de Vila Velha. “Sou pré-candidato. Existe uma cobrança muito grande para que eu seja prefeito de Vila Velha.” Inclusive, uma autocobrança.

Convencido de que Max Filho (PSDB) será candidato à reeleição, Hércules (MDB) rechaça qualquer possibilidade de nova composição com o atual prefeito, apoiado por ele em 2016. Pelo contrário. Para se fortalecer, o deputado pretende reunir outros canários no mesmo poleiro-palanque: todos contra o tucano que hoje governa o município.

Pessoalmente, o deputado está articulando uma união de forças, de preferência ao redor dele, com outros líderes políticos da cidade, incluindo o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) e os deputados Euclério Sampaio (sem partido), Rafael Favatto (Patri) e Danilo Bahiense (PSL). “Já conversei com todos eles. Estou articulando uma reunião. A pauta é um projeto para Vila Velha. E a ideia é termos só um candidato saído desse grupo, com o apoio dos demais. A máquina sai com vantagem, mas também tem desgaste. Hoje a rejeição a Max é muito grande em Vila Velha”, aposta o emedebista.

Independentemente da real força da máquina em 2020, uma pulverização de adversários tende a favorecer quem está na situação. Brigando entre si, eles terão mais a perder. É o que norteia a estratégia de Hércules. “Nossa intenção é não nos digladiarmos.”

Essa união, segundo o deputado, pode levar a uma dobradinha com Neucimar, tendo o ex-prefeito como vice: “Não estou procurando um noivo para minha filha e sim um parceiro. Se tiver que ganhar com ele, vamos trabalhar para isso”. Segundo Hércules, na primeira conversa com Neucimar, este teria lhe dito que, juntos, os dois derrotam Max no 1º turno.

Apesar de toda a assertividade de Hércules, sempre paira sobre ele aquele quê de desconfiança de que, na hora H, ele pode desistir da candidatura. Isso devido ao seu próprio retrospecto de refugadas e de desentendimentos com a direção estadual da própria legenda.

Na eleição municipal de 2008 , Hércules bateu na trave, perdendo no 2º turno para Neucimar. Até hoje, ressente-se da falta de um apoio mais explícito do então PMDB e do seu então líder maior, o então governador Paulo Hartung. “O meu próprio partido trabalhou para Neucimar. O partido dizia que estava me apoiando, mas não era verdade.”

Depois dessa derrota eleitoral, Hércules se disse pré-candidato até o limite do prazo em 2012 e 2016, mas no último instante retirou-se do páreo. Nos dois casos, ele culpa a direção estadual do próprio partido, controlada até hoje por Lelo Coimbra (por extensão, por Paulo Hartung), a qual de fato teve influência, especialmente em 2012: naquela eleição, o MDB-ES preferiu apoiar Rodney Miranda.

“Em 2012, fiz a convenção numa sexta, saí de lá candidato, nos braços do povo. No domingo, último dia para registro de candidaturas, o partido decidiu não me dar legenda e apoiou o Rodney Miranda. Veio de cima para baixo”, lamenta-se Hércules.

Já em 2016, podemos dizer que o canário correu da briga, temendo tomar outro quebra de asa da direção do próprio partido. “Eu ainda não tinha o domínio do MDB em Vila Velha. Ainda não podia, naquela ocasião, confiar na direção regional, que podia fazer o que quisesse, como fez em 2012”, justifica-se.

Hércules revela certa mágoa inclusive com Paulo Hartung:

Hércules Silveira (MDB)

Deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Vila Velha

"Para o Estado, ele foi bom. Para mim, não foi bom. Não posso analisar o governador só em relação ao meu projeto. Tenho que analisar o projeto para o Estado. Se quem ele colocou foi bom para o município, o povo é que deve julgar isso. Não sou eu"

Agora, a história é outra.

NOVO CENÁRIO PARA O CANÁRIO

Desde maio deste ano, Hércules preside o MDB em Vila Velha e agora tem pleno controle sobre a direção municipal. Não tem mais prego, nem amarra partidária, que o impeça de voar. Além disso, como ele mesmo frisa, o MDB mais do que nunca precisa eleger prefeitos em vitrines políticas para se reerguer, depois do desastre eleitoral de 2018.

“Hoje as coisas são diferentes. Modéstia à parte, quem tem voto no MDB hoje? O Lelo, que era o maior nome do partido, perdeu a eleição [para deputado federal, em 2018]. Então, quem foi o mais votado do partido agora fui eu.”

Hércules Silveira (MDB)

Deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Vila Velha

"O MDB hoje está precisando fazer prefeituras. Em Vitória não tem nenhuma chance, nem na Serra nem em Cariacica. Quem sobrou? Guerino [Zanon] em Linhares e eu em Vila Velha. Se o MDB não tiver pelo menos duas prefeituras grandes, o partido vai diminuir, conforme já diminuiu na última eleição para deputados estaduais."

De fato, tanto em escala nacional como no Espírito Santo, o resultado do MDB nas urnas em 2018 foi muito ruim, e o partido precisa reverter o mau momento em 2020. Na legislatura passada, o MDB capixaba chegou a somar sete deputados estaduais, mas, no ano passado, só elegeu Hércules e José Esmeraldo.

Vamos ver se desta vez Hércules vai mesmo fazer ouvir seu canto e alçar voo mais alto. Ou se vai, novamente, recolher-se ao seu canto e ficar pregado no lugar.

A CONVENÇÃO ESTADUAL

O MDB no Espírito Santo tem convenção estadual marcada para o fim de novembro. O atual ocupante do cargo, Lelo Coimbra, deve disputar a presidência estadual com o também ex-deputado federal Marcelino Fraga. Apesar do histórico de frustrações com Lelo, Hércules diz não querer “declarar o voto neste momento” e afirma que o resultado dessa disputa interna não poderá prejudicar seus planos eleitorais desta vez.

“Não acredito que isso possa influenciar. Mesmo que ganhe outro candidato… Tanto Lelo como Marcelino têm simpatia por mim e pelo meu nome em Vila Velha. Mesmo porque, se não for assim, quem será o candidato?”

COM MAX, DECEPÇÃO EM 2018

Com o atual prefeito de Vila Velha – seu virtual adversário nas urnas em 2020 –, Hércules diz ter “relacionamento político muito bom”. “Max é um rapaz muito bom, muito sério, o que não é nenhuma virtude, é obrigação. Sempre foi sério igual ao pai dele”, afirma o deputado, referindo-se ao ex-governador Max Mauro.

O deputado explica por que decidiu apoiar Max em 2016: “Eu achava que o Max poderia ser um melhor prefeito do que o Neucimar e do que o Rodney. Por isso o apoiei. Disse: ‘Max, você já foi prefeito duas vezes. Apesar de eu ser mais velho, você tem mais experiência de prefeito do que eu’. Mas esperava que ele fosse um prefeito com mais garra neste momento”.

Continuando o roseiro de mágoas, ele diz ter se sentido prejudicado por Max Filho na eleição parlamentar de 2018, já que dois ex-secretários do tucano em Vila Velha, Luciano Machado (PV) e Carlos Von (Avante), também concorreram a deputado estadual.

“O Max não precisava me apoiar, mas também que não levasse candidatos de fora lá para Vila Velha. Ele botou dois ex-secretários dele para disputar votos comigo. Dois rapazes ótimos, mas...”

CENA POLÍTICA: UMA VICE NO “ESTILO JAQUELINE”

A vice-governadora escolhida por Renato Casagrande (PSB) para compor chapa com ele em 2018 é a ex-vereadora de Cariacica Jaqueline Moraes, mulher e negra. No plano ideal, Hércules gostaria de ter uma vice com perfil parecido com o de Jaqueline, em sua chapa, na próxima eleição à Prefeitura de Vila Velha. E até já tem um nome em mente: o da vereadora de Vila Velha Patricia Crizanto, do Partido da Mulher Brasileira (PMB), região de São Torquato e 36 anos de idade.

A vice-governadora Jaqueline Moraes (no alto, à esquerda) e a vereadora Patricia Crizanto. Crédito: Carlos Alberto Silva e Câmara Municipal de Vila Velha/Rayssa Rocha
A vice-governadora Jaqueline Moraes (no alto, à esquerda) e a vereadora Patricia Crizanto. Crédito: Carlos Alberto Silva e Câmara Municipal de Vila Velha/Rayssa Rocha

De fato, seria um complemento e tanto ao perfil dele: branco, idoso, com eleitores mais concentrados na região 1 da cidade, a de melhor renda per capita (Centro, Praia da Costa, Itapoã).

Hércules conta que, no último sábado (12), em um evento oficial na Grande Terra Vermelha, na presença de Casagrande e da vereadora, ele mesmo apontou-a para o governador: “Casagrande, olha a minha vice aqui!”

E Casagrande devolveu: “É, você aprendeu comigo! [risos]”

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