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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Casagrande investiu mais que Hartung com recursos próprios

A coluna deste domingo traz, basicamente, algumas constatações matemáticas, para tirar algumas teimas, com base em dados oficiais fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCES)

Publicado em 02/02/2019 às 21h33
Vitor Vogas: Casagrande investiu mais que Hartung com recursos próprios. Crédito: Arabson
Vitor Vogas: Casagrande investiu mais que Hartung com recursos próprios. Crédito: Arabson

Durante a eleição ao governo do Estado em 2014 e mesmo após a vitória, em grande parte do seu governo, Paulo Hartung argumentou que Renato Casagrande cometeu o erro de diminuir o volume de investimentos com recursos próprios – aqueles do caixa do Tesouro Estadual.

Conforme argumentação de Hartung e de aliados dele, Casagrande amplificara de maneira temerária o emprego de recursos próprios para arcar com despesas correntes, deixando o governo do Estado cada vez mais dependente de operações de crédito para realizar investimentos.

A coluna deste domingo traz, basicamente, algumas constatações matemáticas, para tirar algumas teimas, com base em dados oficiais fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCES):

1. Em números absolutos, o primeiro governo Casagrande I (2011-2014) investiu quase o dobro do que investiu o governo Paulo Hartung III (2015-2018).

2. Levando em conta apenas investimentos feitos com recursos próprios, o governo Casagrande I investiu mais que o triplo do que investiu o governo Paulo Hartung III, em números absolutos.

3. Terceiro e mais importante: o percentual de investimentos executados com recursos próprios no governo Casagrande I supera o percentual de investimentos efetuados com recursos dessa fonte no governo PH III. Em outras palavras, o tamanho da fatia de investimentos com recursos próprios no bolo total de investimentos foi maior no governo Casagrande I do que no governo PH III.

Por esse critério, o último governo de Hartung dependeu mais de operações de crédito para realizar investimentos do que o primeiro governo de Casagrande.

Confira os números*, abaixo:

Governo Casagrande (2011-2014)

. Total de investimentos (todas as fontes): R$ 5,658 bilhões

. Total de investimentos com recursos próprios: R$ 3,808 bilhões

. Porcentagem de investimentos com recursos próprios: 67,30%

Governo P. Hartung (2015-2018)

. Total de investimentos (todas as fontes): R$ 2,900 bilhões

. Total de investimentos com recursos próprios: R$ 1,176 bilhão

. Porcentagem de investimentos com recursos próprios: 40,55%

Agora, confira abaixo a evolução dos resultados, ano a ano:

. Casagrande I (2011-2014)

. 2011

. Total de investimentos:

R$ 1,206 bilhão

. Só com recursos próprios:

R$ 1,077 bilhão (89,3%)

2012

. Total de investimentos:

R$ 1,164 bilhão

. Só com recursos próprios:

R$ 976,9 milhões (83,8%)

2013

. Total de investimentos:

R$ 1,414 bilhão

. Só com recursos próprios:

R$ 812 milhões (57,4%)

2014

. Total de investimentos:

R$ 1,872 bilhão

. Só com recursos próprios:

R$ 941,4 milhões (50,2%)

. Paulo Hartung III (2015-2018)

2015

. Total de investimentos:

R$ 620,4 milhões

. Só com recursos próprios:

R$ 327 milhões (52,7%)

2016

. Total de investimentos:

R$ 541 milhões

. Só com recursos próprios:

R$ 284,1 milhões (52,5%)

2017

. Total de investimentos:

R$ 652,9 milhões

. Só com recursos próprios:

R$ 280,6 milhões (42,9%)

2018**

. Total de investimentos:

R$ 1,085 bilhão

. Só com recursos próprios:

R$ 284,1 milhões (26,1%)

* Em todos os anos, o levantamento considera as despesas empenhadas.

** Segundo o TCES, os dados de 2018 estão sujeitos a alterações em função do fechamento anual.

Hércules: “É à vera!”

Em 2008, Hércules Silveira (MDB) bateu na trave: perdeu a eleição a prefeito de Vila Velha no 2º turno para Neucimar Fraga. Nas duas eleições municipais seguintes, o deputado fez o mesmo movimento: ensaiou concorrer de novo, mas refugou na hora H (queixando-se de falta de apoio do próprio partido). Desta vez Hércules assegura: a sua pré-candidatura a prefeito em 2020 “é à vera”.

“Que Max me retribua”

Recém-empossado para o 4º mandato sucessivo na Assembleia, Hércules diz não estar rompido com Max Filho (PSDB), mas expressa certa mágoa com o prefeito – apoiado por ele em 2016 – e afirma que, em 2020, os canelas-verdes precisam eleger alguém que nunca tenha governado a cidade. “Dizem que a gratidão é a memória do coração. O do Max está com Alzheimer. Ele levou vários candidatos [a deputado] para Vila Velha. Espero que ele retribua o que fiz por ele da última vez. A máquina sempre sai com pelo menos 10% dos votos. Se ele não quiser me apoiar, que pelo menos libere o pessoal dele.”

Amigo, pero no mucho

Mas ora, o próprio Max Filho não há de ser candidato à reeleição? Para Hércules, não. “O povo em Vila Velha diz que ele não deverá ser. Dizem que ele jogou a toalha no chão.” Caramba, quem tem um aliado assim...

Leal: “Só Deus me detém”

Outro antigo aliado de Max (foi até vice em uma das administrações dele), o também deputado estadual Hudson Leal (PRB) confirma à coluna: é candidatíssimo a prefeito de Vila Velha em 2020. Entende que chegou a vez dele. “Só não serei candidato se Deus não quiser. Se eu tiver 1%, vou para a disputa.”

Coordenador da bancada

Em Brasília, Josias da Vitória (PPS) foi recebido por Evair de Melo (PP) na última quinta-feira, às 17h30, no gabinete dele, na Câmara Federal. Os dois tomaram posse no dia seguinte como deputados federais pelo Espírito Santo e são os grandes interessados no posto de coordenador da bancada capixaba no Congresso. A escolha deve ser feita pelos 13 integrantes da bancada na próxima terça-feira. Da Vitória já falou com quase todos e acredita já ter a maioria dos votos. Também já informou a Casagrande da sua postulação. “Ele me disse que, se eu conseguisse me viabilizar, seria muito bom”, afirma Da Vitória.

Vamos trocar votos?

Evair também se movimenta e tem pedido votos para os futuros pares – inclusive para Da Vitória. “Evair até brincou comigo: ‘Eu já te pedi o teu voto. Só falta você me pedir o meu’.”

Bob Sheep is back

Diretor-geral da Assembleia na primeira fase do primeiro mandato de Erick Musso na presidência da Casa – de fevereiro a agosto de 2017 –, Roberto Carneiro é cotado para retornar ao cargo ou assumir outra diretoria da Assembleia. Com o deputado Marcelo Santos (PDT) – eminência parda do Poder na era Musso – e o procurador-geral da Assembleia, Rafael Teixeira de Freitas, Carneiro forma o núcleo duro do presidente. No momento, ele é assessor de Musso. Carneiro também assumiu a presidência estadual do PRB.

Cena política

Na posse do novo secretário de Direitos Humanos de Vitória, Bruno Toledo, na presença do prefeito Luciano Rezende, a procuradora da República Elisandra de Oliveira Olímpio foi chamada a discursar. Após alguns elogios, deu uma cobrada, muito aplaudida pela plateia: “Mas também é uma pasta que precisa ser empoderada. Precisa de recursos e de autonomia política”. Luciano e Bruno Toledo também aplaudiram, e riram um para o outro. Em seguida, na sua fala, o prefeito não se fez de rogado: “Dra. Elisangela, quero dizer que aquela parte do seu discurso, que foi escrita pelo Bruno, está garantida: recursos, orçamento...” Arrancou gargalhadas do auditório.

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