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Médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio

Somos indiferentes com político que usa recurso público para fins pessoais

A calma com que nós usamos a indiferença em casos como o de políticos usando dinheiro público para fins pessoais é de dar dó. Nossos gestores não estão nem aí. E quer saber, nem nós

Publicado em 14/01/2020 às 04h00
Atualizado em 14/01/2020 às 04h01
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. Crédito: Pedro França
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. Crédito: Pedro França

Seria cômico se não fosse trágico. O tristemente célebre ministro Dias Tóffoli agrediu de novo o bom senso e os bons costumes. A já famosa autoridade, como se sabe, faz parte ativa do grupo que se dependura nas leis, por eles mesmos inventadas, para manipular qualquer coisa que seja de seu agrado. Só não vê quem não quer, ou participa.

Todos são iguais perante a lei, mas alguns – com exceções, claro – muito mais iguais. Furando a fila de tocados pela ética (que ainda sobrevive na consciência popular), a citada autoridade, de alto salário e aderências criadas pelo sistema, quase em silêncio, embarcou para Rio Preto, no Paraná, acompanhado de uma comitiva super bacana em avião da Força Aérea Brasileira, que legalmente só pode ser usada em defesa da pátria. Não foi bem o caso.

Para não perder o costume, esticou o fim de semana, retornando só na segunda-feira, também em avião da FAB, que ninguém é de ferro. Isto é, uma das mais altas figuras do sistema protetor da lei usa o patrimônio público em compromissos privados. Deixa eu explicar.

O motivo foi um único compromisso, o de inaugurar o Fórum Eleitoral de Rio Preto, que recebeu o nome do pai da referida autoridade. Calma pessoal, isso não é de hoje. O eterno ex-presidente José Sarney, outro exemplo de deboche, com os impostos pagos pelo bravo povo brasileiro, viajou agorinha mesmo em um helicóptero da Polícia Militar do Maranhão para flanar da capital São Luiz até a ilha de Curupu, riqueza da qual é humilde proprietário. Chique, não?

Só para fazer uma singela comparação. Na Suécia, uma deputada encarou um processo e um escândalo, em 2011, por usar uma única vez o dinheiro público para pagar uma corrida de táxi para casa, em vez de pegar o trem como todos fazem nos países onde existe seriedade e as leis funcionam.

A calma com que nós usamos a indiferença nesses casos é de dar dó. Nossos gestores não estão nem aí. E quer saber, nem nós. E se houver uma apuração, esta passará de mãos em mãos, de caneta em caneta, até se esvair em coisa nenhuma.

Ao contrário do que se prega oficialmente para as criancinhas nos grupos escolares, das favelas - digo comunidades -, não é possível obedecer a lei que setoriza os culpados à priori, e a inteligência na repressão aos crimes é pueril.

Um único exemplo: sei que pode ser inocência de minha parte, mas não seria óbvio deixar “livres” os celulares nas prisões e usar as informações?

Será que os poderosos chefões das legiões de bandidos estão no xilindró? Ou nas covas rasas dos quintais nas favelas? Onde moram os policiais honestos e pobres – a grande maioria – com seus salários, principalmente se comparados com a remuneração frenética das autoridades máximas?

Isso sem falar na maioria dos políticos que não representam nem um pedacinho. Os grupos que se apresentam éticos, que rolam na internet, reproduzem, não produzem. Repetem, repetem e repetem, e daí não passa. Não vou cansá-los. Semana que vem lhes falo o que penso da paranaense, feroz senhora Damares Alves, temerosa chefe do recém-criado Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Para início de conversa, recusou-se a receber grupos antitortura, repletos de evidências e pedidos de proteção. Meu cão – o Dorian Gray – quando soube, grunhiu.

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