ASSINE
Médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio

Debates eleitorais revelam a arte da incompetência

São necessárias ações inteligentes para resolver problemas e repor estruturas óbvias

Publicado em 16/10/2018 às 09h30

Houvesse o menor sinal de engenho ou arte entre os candidatos a gestores do país talvez fosse possível avaliá-los. Caem sempre nas sopas de letrinhas, sem gosto ou significado. Preste atenção nos debates que a senhora mesmo é capaz de deduzir.

Questões básicas de onde derivam as demais passam longe. Ninguém discute a essência, que daria a mínima base na inadiável reconstrução do país. Por exemplo, a recuperação da malha ferroviária nacional despedaçada sem motivo que não fosse justificar a indústria automotiva estrangeira “nacionalizada”. Entulhar o país com latarias motoras. Imagine a propinada que rolou?

Tudo isso consumindo petróleo. Nestes anos de JK pra cá, para disfarçar a estupidez, andaram construindo estradas inacabadas, como a Transamazônica, que liga nada a coisa nenhuma. Qual a importância estratégica de ligar o Rio a Niterói, ponte construída a peso de ouro. É mais importante do que ferrovias como Rio- Vitoria-Minas?

Idem em relação à navegação marítima. A senhora lembra do Lloyd, da Companhia de Navegação Costeira? O Brasil tem portos viáveis em todos os Estados. Comparem a capacidade de carga de um caminhão a navios e trens.

A navegação fluvial pelo Rio Amazonas, ligando Manaus, Belém, Ilha da Madeira, Lisboa, Liverpool etc., acabou. Perderam o endereço. O comércio de petróleo da Amazônia ligava refinarias a toda a Europa. Lá havia a Manaus Harbour, uma companhia binacional e outras empresas estrangeiras ligadas ao comércio de borracha, madeira e petróleo refinado.

No meio desse imbróglio, o celestial diabólico JK escondeu o Brasil no meio do serrado, criando este absurdo chamado Brasília. Iniciou com força a inflação, Todo o material para construir o brinquedinho era transportado de avião. Tudo isso para esconder do povo a capital. Mas a meta foi cumprida, livrar os mandatários das garras do povo.

Mas nada dessas coisas são sequer citadas pelos candidatos. Mesmo porque não têm o mínimo preparo para isso. São necessárias ações inteligentes para resolver problemas e repor estruturas óbvias para barateamento de custo das operações fundamentais. Não geraria, assim, uma melhora da economia? Evitaria pelo menos “programas” populares pontuais, como bolsa isso, bolsa aquilo. Mas esses mandantes que repetem e repetem e se repetem, são treinados em mentir desde pequenininhos. Não fazem outra coisa em resposta às evidências da Lava Jato, por exemplo.

Ninguém quer saber por que o petróleo no Paraguai é muito mais barato que aqui. E olha que eles não produzem uma gota do produto.

* O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista

A Gazeta integra o

Saiba mais
eleições

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.