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O que era notícia no Natal capixaba de um século atrás?

Entre notícias corriqueiras e propagandas de fim de ano, o noticiário de dezembro de 1919 ficaria marcado pelas tensas articulações visando à sucessão do governador Bernardino Monteiro

Publicado em 24/12/2019 às 04h00
Atualizado em 24/12/2019 às 04h00
Vila Rubim era notícia em 1919. Crédito: Divulgação
Vila Rubim era notícia em 1919. Crédito: Divulgação

Quinta-feira, 25 de dezembro de 1919: “Por ser hoje dia de Natal, demos folga ao pessoal das nossas oficinas, pelo que não circulará esta folha amanhã”. Não, não é A Gazeta confundindo datas e anunciando descanso no Natal, mas o "Diário da Manhã", importante jornal publicado na capital do Espírito Santo até a década de 1930.

A cobertura minuto a minuto, divulgada nos sites e redes sociais, inexistia no início do século XX, por isso, a curiosa suspensão das atividades do jornal não surpreende. Assim, um século depois e a primeira diferença clara entre passado e presente é que, mesmo no feriado, A Gazeta, que sequer circulava em 1919, estará cumprindo a função de manter os leitores informados.

Quanto ao conteúdo, no impresso do dia 24 de dezembro de 1919, o "Diário da Manhã" realçou o convite para a missa em comemoração, no dia 25, das Bodas de Prata do governador Bernardino Monteiro e sua esposa, Inah Goulart Monteiro. Também deu ênfase à festa “Natal dos pobres”, idealizada pela primeira-dama do Estado, com distribuição de “roupas, bombons, brinquedos e dinheiro às crianças desprotegidas” e em outra matéria mencionou a educadora Maria de Menezes, encarregada de instruir os índios do aldeamento de Pancas. Por fim, o destaque foi para o início da iluminação pública em Argolas, Vila Velha, além de um inusitado caso de agressão na Vila Rubim, em Vitória, onde um cidadão espancou a própria sogra com um pedaço de lenha e acabou preso.

Na edição do Natal, a preocupação devido ao assassinato ocorrido na Estação de Fundão diferiu do “júbilo” da população de Alegre, que estava em festa pela elevação do seu território “à categoria de cidade”. Não havia “Black Friday”, mas as promoções já ocupavam suas páginas: a “Casa Pan-Americano” anunciava brinquedos e artigos de fantasia “a preços de fim de ano” e a loja “Morgadinha” prometia “preços baratíssimos” para chapéus e meias. O mesmo fazia a “Casa Prado”, de Colatina, e sua “grande venda de ocasião, que terminará em 20 de janeiro”.

Entre notícias corriqueiras e propagandas de fim de ano, o noticiário de dezembro de 1919 ficaria marcado pelas tensas articulações visando à sucessão do governador Bernardino Monteiro, uma similaridade com o atual mês, período no qual as manchetes foram dominadas pela estranha eleição antecipada na Assembleia Legislativa e por assuntos políticos de âmbito nacional e internacional.

Na primeira edição pós-natal do "Diário da Manhã", no dia 27, o governador do Espírito Santo, por meio do decreto nº 3.706 e em homenagem ao dia do Natal, perdoou e reduziu para metade algumas penas de sentenciados, atitude semelhante ao indulto natalino concedido pelo presidente da República. No entanto, a informação centenária mais próxima do presente é a referência do periódico ao alto custo de vida, já considerado um dos principais problemas sociais naquele tempo e que segue atormentando a vida da maioria dos brasileiros.

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