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A saga das tropas e o centenário de um tropeiro capixaba

Cidades como Castelo, Iúna, Alegre, Iconha, Afonso Cláudio, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Muniz Freire, Ibatiba e Conceição do Castelo devem muito do seu desenvolvimento à atividade dos tropeiros

Publicado em 03/12/2019 às 04h00
Atualizado em 03/12/2019 às 04h01
Cidade de Conceição do Castelo. Crédito: IBGE/Arquivo
Cidade de Conceição do Castelo. Crédito: IBGE/Arquivo

Desbravador, corajoso e trabalhador. Três palavras que ajudam a definir a marcante figura do tropeiro, um homem, geralmente negro e de fundamental importância para a prosperidade e povoamento do Espírito Santo moderno, principalmente da região Centro-sul do Estado.

Os tropeiros, isto é, homens que conduziam tropas formadas por burros e mulas, transformaram-se nos grandes responsáveis pelo envio de mercadorias, especialmente o café, para pontos de escoamento, como portos e ferrovias. No retorno aos lugarejos, levavam produtos não fabricados no interior e abasteciam o comércio local, tornando-se o mecanismo básico de chegada e saída de inúmeros gêneros e de novas notícias, do final do século XIX até meados da década de 1940, quando este tipo de transporte passou a perder espaço para o caminhão.

A contribuição para o progresso de muitas localidades é evidente. Cidades como Castelo, Iúna, Alegre, Iconha, Afonso Cláudio, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Muniz Freire, Ibatiba e Conceição do Castelo, entre outras, devem muito do seu desenvolvimento à atividade dos tropeiros e foram fortemente influenciadas pelos hábitos e práticas desses homens que, viajando por horas a pé, enfrentando lamaçal, buracos, despenhadeiros e toda sorte de dificuldades, praticamente carregaram o Espírito Santo nas costas durante décadas.

Um desses tropeiros, Genésio Sobrinho da Silva, o Genésio Rosa, completou um século de vida no dia 25 de novembro de 2019. Nascido em Afonso Cláudio e considerado o tropeiro mais antigo ainda vivo no Sul do Estado, desde jovem reside em Conceição do Castelo, onde constituiu família e dedicou boa parte da vida no trabalho com as tropas.

Ainda lúcido, relembra orgulhoso o antigo ofício e as árduas idas a Castelo e Afonso Cláudio, num tempo em que os caminhos capixabas sequer poderiam ser chamados de estradas. Em Conceição do Castelo, município que reverencia suas tradições tropeiras, Genésio já virou poema e agora, em virtude dos 100 anos, foi homenageado na “Semana do Tropeiro”, evento realizado entre os dias 14 e 17 de novembro.

Genésio Rosa encarava chuva, caminhos no meio do mato e deslocava bastante peso, mas também se divertia nos bailes e descansos de domingo. Na lida por anos ao lado de animais conhecidos pela resistência, parece ter absorvido parte dessa força para alcançar a incrível marca centenária e representar todos os empregados na função que, apesar de mal remunerada, ajudou a mover a economia do Espírito Santo.

De acordo com o escritor Armando Garbelotto, no livro “Tropas e Tropeiros: o transporte a lombo de burros em Conceição do Castelo”, Genésio encerrou seu serviço na tropa por causa de uma hérnia e criou os filhos capinando café: “Foi triste – diz ele, porque trabalhar com tropa era o que mais gostava de fazer na vida”.

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