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Jornalista de A Gazeta. Há 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica.

Estudo mostra em qual das 78 cidades do ES é melhor investir

Federação das Indústrias do Estado criou ferramenta que avalia situação dos municípios capixabas e indica qual tem o melhor ambiente de negócios

Publicado em 25/11/2019 às 04h00
Atualizado em 25/11/2019 às 04h00
Índice de Ambiente de Negócios da Findes pode ser usado no planejamento dos gestores públicos. Crédito: Pixabay
Índice de Ambiente de Negócios da Findes pode ser usado no planejamento dos gestores públicos. Crédito: Pixabay

Um estudo inédito desenvolvido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), por meio da equipe do Ideies, pode dar a largada para uma importante mudança de cultura na gestão dos municípios capixabas.

No próximo dia 27, a federação vai lançar o Indicador de Ambiente de Negócios (IAN). O levantamento - o qual a coluna teve acesso em primeira mão - traz um diagnóstico das 78 cidades do Estado em quesitos que passam pelos eixos infraestrutura, potencial de mercado, capital humano e gestão fiscal. A partir dele, será possível identificar quais municípios oferecem as melhores condições para quem quer investir. 

Além de o índice ajudar empreendedores a conhecerem melhor o potencial e as deficiências de cada lugar do Estado, a proposta é que o IAN também seja utilizado como uma ferramenta que auxilie gestores a tomar decisões que possam melhorar as condições de negócios, aumentar a competitividade, gerar mais emprego e renda, ou seja, estimular o desenvolvimento do Espírito Santo de uma maneira sustentada.

A coluna conversou com o diretor-executivo do Ideies, Marcelo Saintive, que explicou que o estudo - desenvolvido durante aproximadamente dois anos - foi construído com uma base de 39 indicadores que irão ajudar prefeitos e suas equipes a terem um diagnóstico da situação local para que, a partir daí, eles possam planejar estratégias e elaborar ações que ataquem os principais gargalos identificados em cada cidade.

Saintive observou que um dos diferenciais do material é a forma como os municípios foram agrupados, nos chamados clusters, seis no total. As variáveis que foram usadas para definir os clusters foram: Índice de Gini, IDH, microrregião e população.

“A ideia era não ficar apenas no nível regional clássico, porque dentro da regional existem disparidades. Ao ‘clusterizar’ você agrega municípios que são semelhantes e podem se comparar, e assim eles conseguem saber qual seria o melhor município para se guiarem. Afinal, não seria justo comparar Vitória com Águia Branca ou com Ponto Belo, por exemplo”, explicou a coordenadora do estudo, Gabriela Vichi.

Saintive chamou a atenção ainda para o fato de o material trazer um banco de boas práticas. 

Marcelo Saintive

Marcelo Saintive

Diretor-executivo do Ideies

"São 35 exemplos de políticas públicas que foram adotadas em outros municípios, inclusive do ES, que podem ser replicáveis pelos gestores. A proposta é não só dar uma nota, mas mostrar também um caminho"

A ferramenta da Findes - que será atualizada anualmente - será detalhada no próximo dia 27, quando vai ser apresentada para os prefeitos capixabas por representantes da federação. O levantamento vai trazer um ranking geral, além de detalhar o comportamento de cada município de acordo com as principais variáveis abordadas. 

O estudo é de extrema importância para um planejamento público de qualidade que garanta a melhoria das condições de vida para a população e de negócios para as empresas. Iniciativas como essa, entretanto, de nada adiantam se não forem utilizadas e trabalhadas com um objetivo claro. O diagnóstico está feito. Agora, a bola está com os gestores públicos.

“MUNICÍPIOS QUE NÃO SE PLANEJAM GASTAM ONDE NÃO DEVERIAM" 

O Indicador de Ambiente de Negócios (IAN), elaborado pela Findes, pode ser um grande trunfo para gestores que forem capazes de analisar os dados e aplicar ações a partir deles. Para entender como os prefeitos devem receber essa ferramenta, a coluna conversou com o presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) e prefeito de Viana, Gilson Daniel. Confira.

Gilson Daniel é prefeito de Viana e presidente da Amunes. Crédito: Reprodução Facebook/Gilson Daniel
Gilson Daniel é prefeito de Viana e presidente da Amunes. Crédito: Reprodução Facebook/Gilson Daniel

De que forma um estudo como esse pode ser aproveitado pelos gestores públicos em prol do desenvolvimento?

Ele tem uma importância muito grande para as gestões dos municípios capixabas porque os prefeitos passam a ter condição de saber a real situação do seu município no que tange o ambiente de negócios. Podem comparar com cidades do seu porte e, a partir daí, vê quais indicadores podem melhorar. Então, é um instrumento para que os gestores não só tenham conhecimento, como construam ações para ajudar os seus municípios a melhorar o ambiente de negócios, atrair empresas e criar empregos.

De que forma a Amunes vai trabalhar o estudo para que não só exista uma ferramenta, mas que ela possa ser aplicada no dia a dia?

Vamos fazer agendas com prefeitos orientando para que eles e suas equipes de planejamento e de orçamento possam não só ter o índice, como também trabalhar para que, no próximo estudo que sair, os indicadores avancem. Esses dados já estão disponíveis e, no dia 27, vamos apresentá-los, junto com a Findes, no Congresso Gestão das Cidades.

Falta de recursos é sempre uma das justificativas dadas por gestores quando algumas entregas não são feitas. Essa ferramenta pode contribuir para uma aplicação mais eficiente do dinheiro público?

Municípios que não se planejam e não se organizam gastam recursos onde não deveriam. Com essa informação, o gestor sabe onde tem que atacar, onde é a dificuldade da cidade e, a partir daí, pode fazer um planejamento e execução com base realmente em indicadores que dão e criam condições melhores para a cidade.

O Indicador de Ambiente de Negócios também pode ser uma forma da sociedade fiscalizar os municípios.

A sociedade tem que cobrar mesmo. Além disso, precisamos que os nossos legisladores comecem a olhar no sentido de que o dinheiro público e a atuação pública precisam ser mais ágeis e eficazes. Hoje, a gente tem tanto controle que a execução do serviço público é tão limitada que, às vezes, o serviço público não chega à sociedade, principalmente às pessoas que mais precisam.

Corre risco de ter “ciumeira” entre uma cidade e outra que não está tão bem. Vai ser um ciúme ou isso pode ajudar as cidades a se “mexerem” mais?

Pode ter um ciúme bom porque quem estiver atrás vai querer passar na frente e vai trabalhar mais, vai melhorar a condição da população. Não é um ciúme de querer disputar, mas as cidades precisam estar mais organizadas e planejadas, de uma forma que as empresas consigam ter esse ambiente propício. Na gestão pública nós precisamos avançar, o poder público tem que pegar aquilo que é bom das empresas privadas e colocar num ambiente público. Hoje a gente está muito burocrata.

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