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Após tiro em senador, PMs em motim ainda ocupam quartel em Fortaleza

Dezenas de viaturas da PM e bombeiros, a maioria com pneus murchos, foram paradas de forma a bloquear as vias que dão acesso ao quartel, incluindo a travessa Seleta

Publicado em 20/02/2020 às 16h09
Atualizado em 20/02/2020 às 16h09
Cid Gomes foi baleado na quarta-feira (19) em Sobral. Crédito: Reprodução
Cid Gomes foi baleado na quarta-feira (19) em Sobral. Crédito: Reprodução

Um dia depois de tiros atingirem o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE), em Sobral, durante motim de policiais militares no Ceará, agentes ainda seguia ocupado nesta quinta-feira (20) um dos principais locais de reunião dos amotinados, o 18º BPM (Batalhão da Polícia Militar), no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza.

Dezenas de viaturas da PM e bombeiros, a maioria com pneus murchos, foram paradas de forma a bloquear as vias que dão acesso ao quartel, incluindo a travessa Seleta.

No local há água e comida estocadas e os policiais cobrem o rosto para evitar represálias, já que, de acordo com o artigo 149 do Código Penal Militar, eles não podem fazer greves ou movimentos semelhantes. 

A quantidade de amotinados e familiares varia. Próximo ao horário de almoço, nesta quinta, muitos haviam deixado o 18º BPM para descansar, se alimentar e voltar pela tarde. Alguns ocultavam o rosto.

Líder do movimento, o ex-deputado estadual Cabo Sabino disse que o movimento ganhou mais adesões depois do que chamou de "ato irresponsável e insensato do senador licenciado Cid Gomes". Para ele, Cid "afrontou" e "tentou matar policiais, mulheres e crianças com uma retroescavadeira". 

Ele defendeu a reação dos PMs amotinados no episódio. "Os policiais que são treinados para defender vidas não poderiam ter outra reação a não ser defender mulheres, crianças e os próprios colegas".

Sabino e outras lideranças presentes no local, como Nina Carvalho, presidente da Associação das Esposas de Militares, dizem que não vão deixar o batalhão, mesmo considerando a chegada da Força Nacional confirmada pelo governo federal.

O Governo do Ceará confirmou que estão totalmente paralisados dois batalhões -o do bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza, com a maior mobilização, e na cidade de Caucaia, na região metropolitana. 

Já em Sobral, palco dos disparos contra o senador licenciado, o cenário foi de desmobilização. Policiais desocuparam o 3º Batalhão da PM durante a madrugada, horas depois de Cid Gomes ter sido atingido por dois tiros. Eles ocupavam o local desde terça-feira. 

Sobral é a base eleitoral de Ciro Gomes e Cid, que apoiam o governador Camilo Santana (PT) e, nacionalmente, fazem oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Cid foi governador do estado em momento semelhante de crise com a PM, em 2012.

Em vídeo gravado na UTI, o senador licenciado agradeceu à equipe do Hospital do Coração, em Sobral, onde está internado. Ele seria transferido para a enfermaria.

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