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Pequenas unidades policiais são um desserviço e desmoralizam a instituição

Quanto mais disperso o efetivo policial, mais burocrático e menos operacional ele se torna.

Publicado em 26/04/2019 às 18h45

DPM com poblemas estruturais

Henrique Geaquinto Herkenhoff*

Há poucas coisas que agradem tanto à população e, contudo, lhe prestem tanto desserviço quanto pequenas unidades policiais espalhadas pelo território. Elas são um monumento à imobilidade, à burocracia e ao desperdício de recursos.

Unidades fechadas à noite e no fim de semana simplesmente não podem atender à maior parte das ocorrências. Ao contrário, vez por outra elas é que são arrombadas, levando-se armas, munição, drogas... Também é frequente que alguém comunique um crime em andamento a um policial que responde não poder sair do local – e não pode mesmo... Ah, sim, essas unidades também são boas para compor manchetes do tipo “assaltado a dez metros da delegacia”. Servem apenas para irritar a população e desmoralizar as instituições.

Quanto mais disperso o efetivo policial, mais burocrático e menos operacional ele se torna. Unidades pequenas aumentam a necessidade de proteger às suas próprias repartições, aumentam o número de gerentes e serviços administrativos, dividem as já insuficientes forças de segurança, inviabilizam o funcionamento ininterrupto – e delegacias que fecham quando você mais precisa delas simplesmente não deveriam existir.

Distribuir unidades por todo lado segue a lógica de quando não havia telefone nem veículos automotores. Elas podem ainda funcionar bem em países onde os índices de violência sejam tão baixos, que não se justifiquem patrulhamentos preventivos nem plantões: o policial é seu vizinho, você o acorda quando necessário.

Os partidários da filosofia de policiamento comunitário defendem esses postos policiais como mecanismo de interação com a população. Todavia, isso não resolve o problema de quem vai “interagir” com os criminosos, dobrando a necessidade de efetivo para cuidar de uma mesma área. Isso seria muito bom se os policiais nascessem em árvores e sobrevivessem por fotossíntese, mas eles são um recurso finito. Isto simplesmente inviabilizaria o policiamento preventivo no local, a não ser que soldados fossem transferidos de outra região, que passaria a sofrer.

Atenta a tudo isto, a PMES está buscando implantar bases móveis, o que pode ser uma solução. Ainda assim, como regra geral, policiais devem estar concentrados, em plantões todos os minutos de cada ano, com grandes recursos de mobilidade e comunicação. Da próxima vez em que lhe propuserem uma delegacia de bairro ou um posto policial fixo, pense bem: pode ser uma péssima ideia.

*O autor é professor do mestrado em Segurança Pública da UVV

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