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O legado dos governantes no apagar das luzes

Até janeiro, acompanhamos os últimos mandos e desmandos dos governantes, deixando rastros de um legado maldito

Publicado em 03/12/2018 às 18h25

Sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília

Walber Gonçalves de Souza*

Dezembro chegou e com ele a contagem regressiva para o início do novo ano, bem como para o fim dos atuais mandatos de governadores e presidente da República. Na prática, significa não somente um novo ano, mas o início de um novo ciclo governamental onde as esperanças de milhares de brasileiros foram depositadas.

Mas até o dia 1º de janeiro chegar, vamos curtindo - se é que seja possível curtir - os últimos mandos e desmandos dos atuais governantes, que mesmo no apagar das luzes não param de agir de forma sórdida e antirrepublicana, deixando rastros de um legado maldito.

Primeiro, com pouco exceções, não cumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal, que apregoa um equilíbrio racional das contas do Estado. Os próximos gestores herdarão uma máquina administrativa que beira a falência, repleta de dívidas, envolta em uma burocracia que só alimenta o desmando e com demandas sociais que já ultrapassaram a urgência. Nosso país está quebrado, não só financeiramente, mas de valores, princípios, perspectivas e, principalmente, de tudo aquilo que possibilita uma vida vivida com dignidade, que deveria ser própria de todo e qualquer ser humano.

Segundo, na esfera federal, o aumento para o STF (Supremo Tribunal Federal), que gerará um efeito cascata nas demais instâncias do poder Judiciário e mais um rombo para os cofres públicos. Não estou aqui discutindo merecimento, nem tão pouco querendo julgar o salário de nenhum grupo social, mas nas atuais circunstâncias pelo qual o país passa e pelo que os meritíssimos juízes já ganham, seria o momento do aumento de salário? Se eles defendem que ganham pouco e que seus devidos salários estão desatualizados, torço para que um dia eles tenham a consciência de quanto ganha a maioria dos profissionais brasileiros.

Terceiro, mesmo com todo respeito e dignidade que os detentos merecem, o STF ficar horas a fio discutindo indulto de Natal, com tanta coisa urgente precisando de uma tomada de decisão, é brincadeira e uma gozação com o trabalhador honesto, que nem sabe se vai receber seus benefícios, como o 13º salário. Mais uma pérola proporcionada pelo presidente Temer!

Tudo que foi mencionado até agora foi o que ficamos sabendo pela imprensa, mas não duvido de decretos terem sido assinados sem o nosso devido conhecimento. No apagar das luzes, os ratos que assombram os cofres públicos do Brasil não param de se mexer e tentam a todo custo aproveitar até o último instante das benesses do poder e de como dele se aproveitar. Só espero que todos eles ainda venham encontrar a sua ratoeira com o fim do foro privilegiado.

*O autor é professor e escritor

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