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O dia em que Gerson Camata quase renunciou ao cargo de governador

Publicado em 26/12/2018 às 19h57

Gente boa, boa praça, do bem, grande contador de causos, uma simpatia. Essas são algumas das expressões lembradas de imediato para definir o ex-governador Gerson Camata, morto de forma brutal nesta quarta-feira, em circunstâncias ainda a serem apuradas. Camata foi o primeiro governador eleito na redemocratização do país, em 1982. Foi eleito pelo PMDB, era oposição ao regime militar, na campanha eleitoral tinha feito críticas duras ao então presidente João Figueiredo, o último dos generais.

O governador Gerson Camata. Crédito: Gildo Loyola | Arquivo
O governador Gerson Camata. Crédito: Gildo Loyola | Arquivo

Na primeira audiência que teve com Figueiredo, em Brasília, já como governador do Estado, Camata ameaçou renunciar ao cargo caso o Espírito Santo não fosse atendido em seus pleitos. Ele gostava de contar esta história: “Quando eu me levantei em direção à porta, dizendo que ia renunciar, ele (Figueiredo) comentou alto: esse cara é doido! Eu não pedi para estar aqui, não fui eleito, mas ele pediu voto! Daí ele pediu para eu voltar e resolveu o problema”, dizia Camata.

Conheci o ex-governador na campanha eleitoral de 1994. Na época, numa disputa na Justiça Eleitoral, ele autorizou o uso do nome “Camata” na campanha de um primo meio distante, o Cabo Camata, que fez a campanha em cima do sobrenome ilustre e quase ganhou de Vitor Buaiz, que acabou se elegendo governador.

No governo, Camata se destacou como defensor da produção rural. Mandou pavimentar as estradas abertas no final dos anos 60 pelo governador Christiano Dias Lopes Filho, no projeto chamado Espinha de Peixe, considerando que a espinha principal era a BR 101 e as demais “espinhas”, as estradas vicinais. Governador entre 1983 e 1986, ele nunca mais perdeu uma eleição e se aposentou no Senado, depois de três mandatos consecutivos.

No vácuo de lideranças que o Espírito Santo viveu nos anos 90, seu nome era sempre lembrado como candidato ao governo. Mas ele não disputou mais o Palácio Anchieta. Mas também não perdia a cancha do político sedutor: tinha a bela voz de radialista, um repertório infindável de histórias e piadas, uma conversa agradável, além de boa capacidade de análise da política estadual e nacional.

Em 1997, eu passava o réveillon na casa de um amigo na Ilha do Frade, vizinho do Camata. Fomos até lá brindar com ele. Naquele ano, o radialista Antário Filho foi assassinado a tiros dentro do estúdio, poucos minutos antes da meia-noite. Mas daí é outra triste história, do nosso Espírito Santo que hoje está mais triste.

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