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Linha Verde é uma boa ideia, porém foi mal executada

Para o sucesso de projetos como o da Linha Verde é necessário que a gestão do trânsito seja integrada e gerida por um único órgão da Prefeitura de Vitória

Publicado em 08/12/2019 às 13h00
Atualizado em 08/12/2019 às 13h00
Linha Verde corredor exclusivo na Avenida Dante Michelini, VItória. Crédito: Fernando Madeira
Linha Verde corredor exclusivo na Avenida Dante Michelini, VItória. Crédito: Fernando Madeira

Em março de 2018, a Prefeitura de Vitória iniciou a implantação da Linha Verde na Avenida Dante Michelini. O objetivo era nobre: dar prioridade ao transporte público – modelo que vem sendo adotado pelo mundo afora. Mas uma enxurrada de reclamações surgiu da população. A opção de implementá-la apenas em uma avenida da cidade esvaziou a ideia, não trouxe os benefícios propalados e provocou transtornos aos não usuários da via expressa.

Faixas exclusivas devem ligar um ponto ao outro da cidade, e não serem implantadas desconectadas da lógica central de que o trânsito das grandes cidades é um organismo vivo e precisa ser pensado de forma integrada. Qualquer intervenção provoca uma resposta desse organismo, algumas, claro, negativas. A verdade é que desse jeito era o mesmo que ter um carro quebrado na terceira faixa da Avenida Dante Michelini, todos os dias, afunilando o fluxo de trânsito antecedente a Camburi.

Nesse contexto da ausência de planejamento, é imprescindível destacar que a Secretaria Municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura (Setran), responsável pelo trânsito, não conta com as ferramentas necessárias para exercer suas mais básicas funções. No atual organograma da Prefeitura de Vitória, a Secretaria de Desenvolvimento é a responsável pela Coordenação de Projetos Viários e propõe diretrizes para o planejamento da infraestrutura de suporte ao tráfego de pessoas, bens e mercadorias. Outra distorção é que a Gerência de Operação e Fiscalização de Trânsito, que é a responsável por executar, planejar e coordenar as atividades de fiscalização de trânsito, é administrada pela Secretaria de Segurança.

Ou seja, a Setran não gerencia as intervenções viárias, não comanda a fiscalização, mas é incumbida de tentar implementar uma relevante alteração no sistema viário. É óbvio que esse quadro generalizado de desordem organizacional não contribui para as boas práticas de gestão pública. Para o sucesso de projetos como o da Linha Verde é necessário que a gestão do trânsito seja integrada e gerida por um único órgão da Prefeitura de Vitória.

A história nos ensina que as reformas administrativas devem realizar-se em função das pessoas e não em função dos interesses burocráticos ou tecnocráticos, para que se promova as condições de participação de todos os cidadãos na vida política, econômica, cultural e social da cidade. Por isso, a consulta popular aos munícipes é ferramenta imprescindível para legitimar medidas que afetam a vida de milhares de cidadãos, o que deixou de ser feito nesse caso. Com a palavra, a Prefeitura de Vitória.

*O autor é advogado e vereador de Vitória

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