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Consumir informação estragada embute uma série de riscos

O antídoto para a falta de confiança e a desinformação deliberada são os veículos profissionais de comunicação, entre os quais os decanos jornais

Publicado em 06/10/2019 às 05h00
Atualizado em 06/10/2019 às 05h00
Confiança no jornalismo na época da internet. Crédito: Divulgação
Confiança no jornalismo na época da internet. Crédito: Divulgação

Você provavelmente conhece a história. Alguém entra na internet e topa com uma oferta irresistível. Não há uma marca conhecida a endossá-la, mas ainda assim o incauto vai em frente e morde a isca. A probabilidade de se arrepender pela compra de um produto ou serviço de baixa qualidade é alta.

Com marcas de comunicação, não é diferente. Como nos artigos à venda pela internet, há infinitas opções de informação on-line. E, assim como o consumo de carne sem certificado de origem pode trazer complicações sérias ao organismo, o consumo de informação que não é proveniente de uma marca confiável, testada e aprovada pelo público por anos ou décadas a fio, embute uma série de riscos.

Quem consome informação estragada pode se contaminar com dados deliberadamente distorcidos para tentar por de pé teses que, no fundo, defendem interesses ocultos. Pode, também, cair em arapucas que visam a levar a tomada de decisões erradas, seja em relação a uma compra ou até mesmo na formulação de realidades adulteradas para proveito político.

No mundo da desinformação, os produtores de fakes são equivalentes aos charlatães que apregoam curas milagrosas. O antídoto para a falta de confiança e a desinformação deliberada são os veículos profissionais de comunicação, entre os quais os decanos jornais. Jornalistas profissionais não são imunes a equívocos ou a restrições de tempo, espaço, recursos e, inclusive, talento.

Mas os jornais e o jornalismo não estão no ramo do erro – o seu modelo de negócios pressupõe a precisão, a veracidade e a pluralidade como elementos fundamentais para se estabelecer a confiança – seja do público que consome a informação profissional ou das marcas que nela anunciam seus produtos e que, por extensão, se associam na corrente de credibilidade.

Reforçar a cadeia de confiabilidade entre público e veículos é uma tarefa permanente, construída hora a hora, dia a dia, ano a ano. Não importa a plataforma ou formato, jornais com muitas décadas de história podem ostentar que sua maior vantagem competitiva para o futuro é exatamente seu passado. Quanto mais provado e aprovado, maior será a relação de credibilidade da marca com a sociedade. Neste mundo caótico da informação e desinformação, não há e não haverá nunca princípio mais relevante do que a confiança sedimentada por gerações de profissionais que fazem da busca da verdade e do acerto o seu modo de vida e ideal.

*O autor é presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e vice-presidente editorial do Grupo RBS

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