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A masculinidade desfeita e seus novos significados

Muito se fala da questão da mulher e do machismo, mas pouco se discute o novo papel do homem na sociedade

Publicado em 26/10/2018 às 19h42

Fernando Manhães*

Em recente evento promovido pela Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda) e o Sinapro-ES (Sindicato das Agências de Propaganda do Espírito Santo), o tema do debate foi um olhar sobre a sociedade com um recorte do papel do homem no contexto.

Foi com a apresentação da pesquisa do banco de imagens da Getty Imagens, embasada em dados de buscas no site da empresa, que as tendências visuais para a comunicação foram indicadas. É curioso que muito se fala da questão da mulher e consequentemente do machismo, mas pouco se discute o novo papel do homem na sociedade.

O assunto em tela trata dos estereótipos que a mídia cria na imagem do homem. Normalmente ele é branco, alto, bem vestido, bem sucedido, pai de família, bom marido, herói, sedutor e por aí vai.

Outro dia recebi um vídeo de um pai lavando louças e falando sobre a importância da distribuição das tarefas domésticas e colocava isso como uma atividade de todos em casa e também como forma de construção da cidadania. Assim, a masculinidade como conhecemos está sendo desfeita e aos poucos ganhando novos significados.

No fundo, somos o que o mundo nos permite conhecer. Quando adquirimos a consciência deste novo papel e a compartilhamos com membros de uma comunidade, nos tornamos capazes de gerar novas formas de pensar, sentir e agir.

Segundo os dados das buscas no site da Getty Imagens, houve um aumento de 53% nas buscas de clientes para o termo “pais homossexuais”. Já o termo “meditação do homem” cresceu 126%, enquanto “pai solteiro” teve um aumento de 60% nas pesquisas, comparativas de um ano para outro. Isso indica que num futuro bem próximo teremos imagens de pais com novos arranjos familiares e também de pais sozinhos.

É importante lembrar que são dados gerados por buscas feitas no mundo inteiro. Isso nos faz imaginar que as marcas globalizadas estão reconhecendo a necessidade de uma melhor representação visual e a formação dessas novas comunidades familiares. A confirmação dessas tendências seguramente desmistificará o que o veremos no futuro na publicidade, mostrará uma nova imagem e trará novo significado para o homem.

*É publicitário e professor do curso de Comunicação Social da Ufes

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